Última hora

Última hora

Vencedor das eleições na Dinamarca terá que contar com Nova Aliança

Em leitura:

Vencedor das eleições na Dinamarca terá que contar com Nova Aliança

Tamanho do texto Aa Aa

As eleições desta terça-feira na Dinamarca vão dar outra forma ao governo do país. As sondagens colocam Anders Fogh Rasmussen, que tenta conquistar um terceiro mandato consecutivo, ombro a ombro com a candidata social-democrata Helle Throning-Schmidt, que poderá ser a primeira mulher a liderar um governo no país.

Mesmo se ganhar, o primeiro-ministro cessante terá que gerir uma coligação onde deverão constar um partido anti-imigração, o Partido do Povo Dinamarquês (PPD)e um outro completamente oposto nesta matéria, liderado por um muçulmano dinamarquês.

Filho de mãe síria e de pai palestiniano, Naser Khader, de 44 anos, poderá vir a ter um papel-chave nestas eleições, isto apesar do seu partido de centro-direita, a Nova Aliança, só ter seis meses de existência.

Consciente da importância que tem neste escrutínio, Khader vai preparando o terreno ao definir as suas prioridades. “Temos muitos assuntos importantes, mas os prioritários são a reforma fiscal, a nova política de asilo e imigração e o sistema de saúde”, refere.

Os cinco milhões e meio de habitantes do reino dinamarquês têm um nível de vida de meter inveja às grandes potências mundiais. A taxa de desemprego, em 2006, ficou-se pelos 4,5 por cento e a economia cresceu 3,5 por cento, contra apenas 2,2 na zona euro. Desde 1997, que o país regista um superavit orçamental. Armas eleitorais de peso para o primeiro-ministro.

“A economia dinamarquesa está em muito boa forma. Não temos problemas políticos graves. Em geral, as pessoas estão satisfeitas, portanto é uma questão de saber que governo vai ser formado depois do dia 13 de Novembro.”

Thorning-Schmidt e o primeiro-ministro cessante são defensores de políticas pró-europeias semelhantes e da continuidade das tropas dinamarquesas no Afeganistão. Mas os ânimos exaltam-se quando se trata de discutir o Estado-providência. É precisamente neste campo que a candidata social-democrata tem conseguido ganhar terreno ao seu rival e faz questão de afirmar as diferenças entre as duas candidaturas.

“Somos muito diferentes em termos de valores, da nossa perspectiva em relação ao Estado-providência, aos serviços públicos e creio que estas diferenças são claras, particularmente na questão que estamos a apresentar na campanha que é: quer mais redução de impostos ou melhores serviços públicos? É a divisão clássica entre partidos de esquerda e de direita.”

Thorning-Schmidt já renunciou a uma grande coligação com o partido do Rasmussen, apesar da semelhança das políticas defendidas pelas duas formações. Certo é que de acordo com as sondagens, seja qual for o vencedor, nenhum poderá deixar de lado a Nova Aliança.