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Francófonos temem que cisão de Hal-Vilvoorde se estenda ao país

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Francófonos temem que cisão de Hal-Vilvoorde se estenda ao país

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Estamos em Rhode Saint Genèse, um dos seis concelhos chamados de “facilidade linguística”, na periferia de Bruxelas, na região flamenga da Bélgica. Trata-se do único município com este estatuto que faz fronteira com a região de Bruxelas e com a da Valónia. Aqui vivem 56 por cento de francófonos que se sentem traídos pelo voto dos flamengos no projecto de lei que tem como objectivo acabar com alguns direitos dos francófonos que vivem na periferia da capital.

É o caso da família Decroly. Pierre, o avô, é o presidente da associação cultural francófona de Rhode Saint Genèse e diz que “há uma vontade de cercar Bruxelas por forma a que os francófonos, que são maioritários, se tornem minoritários num conjunto que é a Flandres, mesmo com Bruxelas no interior.”

Nestes municípios de “facilidade linguística”, na Flandres, os francófonos têm a possibilidade de escolher se votam nas listas flamengas ou nas francófonas, como acontece em todo o distrito de Hal-Vilvoorde. Para além disto, têm acesso a documentos administrativos nas duas línguas, o que os flamengos têm cada vez mais dificuldades em aceitar.

Liliane Decroly, a mulher de Pierre, conta que há “uma biblioteca francófona no bairro que funciona muito bem e que antes recebia subsídios da comunidade francesa. De um dia para o outro, os flamengos decidiram que a comunidade francesa da Bélgica não podia continuar a dar dinheiro às bibliotecas dos municípios de facilidade linguística.”

Os francófonos da região querem evitar a cisão do distrito de Hal-Vilvoorde por considerarem que se trata do início da cisão do país.

Um cenário pouco provável para Stefan Fries, analista político flamengo da Universidade Católica de Louvain. “É claro que tem sido uma provocação dos partidos políticos flamengos, que pela primeira vez se servem da sua maioria em relação à comunidade francófona. Agora, não me parece que isto signifique a divisão do país.”

Certo é que a situação nunca esteve tão tensa e nunca se falou tanto, quer seja nos meios de comunicação social como nas ruas, de uma eventual divisão da Bélgica.