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O presidente reformador

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O presidente reformador

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Nicolas Sarkozy apresentou-se aos franceses com um programa de reformas. Depois de eleito, o presidente francês mantém o discurso reformador em todos os fóruns onde é chamado a intervir, como no parlamento europeu onde se deslocou esta terça-feira: “Eu encetei uma política de reformas. Estas reformas foram aprovadas pelos franceses. Eu disse-lhes tudo antes das eleições e é por isso que vou concretizar estas reformas. Nada me vai desviar do meu objectivo.”

Legitimado pelo voto, o chefe de Estado posicionou-se na primeira linha no confronto com os sindicatos, um papel tradicionalmente desempenhado pelo primeiro-ministro, François Fillon, que ontem se exprimiu no parlamento: “O governo não vai renunciar aos princípios desta reforma. E não o fará porque não tem esse direito face aos franceses perante os quais se comprometeu e face aos franceses que financiam o défice dos regimes especiais.”

Em 2007 vai ser necessário descobrir cinco mil milhões de euros para equilibrar as contas dos regimes especiais que permitem a meio milhão de pessoas descontar trinta e sete anos e meio para a pensão de reforma em vez dos quarenta anos de cotizações exigidos à maioria dos trabalhadores. Há doze anos a reforma do sistema falhou porque a população apoiou os grevistas, mas agora não é assim, como explica Brice Teinturier do instituto de sondagens TNS-Sofres: “Hoje a stuação é diferente. Os franceses apoiam a reforma do governo pois consideram que a reforma dos regimes especiais é normal e deve ser feita, por isso não estão em empatia com os manifestantes.”

Os socialistas na oposição discordam sobretudo do método de confrontação do chefe de Estado. A ex-candidata presidencial Ségolène Royal critica: “Sabemos muito bem como funciona Nicolas Sarkozy, ele trabalha muito com a sondagens. Fê-lo durante a campanha eleitoral e agora continua. Considera que se a greve é impopular, que se os regimes especiais são impopulares então o confronto é possível e assim faz crer que as reformas são sustentadas.”

Nicolas Sarkozy conta com o apoio das sondagens mas a forma como conseguir sair desta crise vai condicionar o rumo da sua presidência.