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Deputados Francófonos e flamengos rejeitam cisão da Bélgica

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Deputados Francófonos e flamengos rejeitam cisão da Bélgica

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É um primeiro sinal de entendimento na crise política belga, que dura há 167 dias. Deputados francófonos e flamengos rejeitaram ontem, em uníssono no Parlamento, um projecto-lei, proposto pela extrema-direita flamenga, que previa a cisão do país.

Um gesto com que os partidos da Flandres se demarcam dos nacionalistas radicais do Vlams Belang, abrindo caminho à retoma das negociações com os francófonos, com vista à formação de um governo de coligação.

Para o flamengo Didier Reynders, favorável ao reinício das negociações, “os deputados decidiram evitar uma decisão que não ia no bom caminho. É natural que não votemos um texto que visa o fim da Bélgica”.

Nas últimas semanas a divisão entre as duas comunidades parecia consumada, após os deputados flamengos aprovarem a divisão do distrito de Bruxelas, o único bilingue do país.

Para o socialista Yvan Mayeur, o voto de ontem não muda em nada o cenário de crise “Não é evitando uma nova bofetada que reparamos o mal que já foi feito”, afirmou.

Na base do vazio de poder que dura desde as eleições de Junho, está a recusa dos partidos francófonos em reforçar a autonomia das regiões, exigida pelos flamengos.

Entre os apelos à união do país feitos nas ruas nas últimas semanas, a solução da crise parece mesmo passar por uma reforma do Estado. Uma lista dos partidos favoráveis à medida deverá ser entregue esta sexta-feira ao rei Alberto, de forma a iniciar aquele que se anuncia como um terceiro ciclo de negociações para formar um governo de coligação.