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Acusações de fraude ensombram legislativas de amanhã na Rússia

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Acusações de fraude ensombram legislativas de amanhã na Rússia

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As autoridades russas ultimam os preparativos para as legislativas de amanhã, apontadas por vários analistas como as menos democráticas desde o fim da era soviética. Sem a presença de observadores da OSCE, sob a suspeita da União Europeia e dos Estados Unidos e com várias acusações de fraude apontadas pela oposição e organizações humanitárias, o partido Russia Unida deverá, sem surpresas, vencer o sufrágio.

Segundo o jornal The Guardian, as autoridades pretendem que o partido, cujo cabeça de lista é o próprio Vladimir Putin, obtenha pelo menos 65% dos votos. A organização humanitária Golos denuncia uma estratégia de pressão sobre os funcionários públicos, estudantes e trabalhadores, para que votem na formação, sob ameaça de despedimento ou perda de benefícios.

As sondagens oficiais apontam que 60% dos russos pretende votar no partido Rússia Unida, estudos de opinião independentes referem apenas 35% de intenções de voto na formação. As novas regras de inscrição para o sufrágio, deixaram fora da corrida várias formações políticas da oposição.

Apenas os comunistas de Guenady Zyuganov deverão ultrapassar a fasquia dos 7% que dá acesso a um lugar no Parlamento. Os ultranacionalistas de Vladimir Jirinovsky arriscam-se também a ficar sem representação parlamentar, assim como os liberais do partido SPS ou do Iabloko, creditados com um a dois por cento de intenções de voto e, como a restante oposição, quase ausentes dos media russos durante a campanha.

O governo não esconde que o sufrágio é antes de mais um referendo ao presidente, que impossibilitado de se apresentar a um terceiro mandato, não exclui a possibilidade de assumir o cargo de primeiro-ministro. Sem a presença dos observadores internacionais da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), que criticaram a falta de colaboração de Moscovo, as supostas irregularidades ficam a cargo de observadores da Comunidade dos Estados Independentes, liderada por Moscovo.

A Comissão Eleitoral russa, interpelada pela oposição depois do presidente ter apelado ao voto no seu partido, considerou ontem que a acção não constitui uma violação das regras eleitorais. Vladimir Putin integra a lista do partido Rússia Unida, sem pertencer à formação, oficialmente é Boris Gryzlov, o actual presidente do parlamento, o candidato a primeiro-ministro.