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Polícia russa cerca escritório de partido da oposição na véspera das legislativas

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Polícia russa cerca escritório de partido da oposição na véspera das legislativas

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A suspeição internacional paira sobre as legislativas de amanhã na Rússia, que alguns analistas não hesitam em apontar como as menos democráticas no país, desde o final da era soviética. Em pleno dia de reflexão, polícia e agentes dos serviços secretos terão cercado os escritórios do partido liberal SPS em Krasnodar, no sul do país, forçando a entrada das instalações, sem que se conheçam para já as razões do sucedido. A informação foi avançada esta tarde pela agência francesa AFP.

Uma acção que se junta à longa lista de irregularidades do sufrágio, que desde o início da campanha eleitoral tem um vencedor anunciado, o Partido Rússia Unida e o presidente Putin, que encabeça a lista de candidatos da formação.

A imprensa europeia e organizações humanitárias russas apontam desde há várias semanas, não só as pressões para silenciar opositores e jornalistas, mas também para levar funcionários públicos a votar no partido presidencial.

Apenas os comunistas de Guenady Ziuganov parecem ter condições, segundo as sondagens oficiais, para superar os 7% de votos que dão acesso ao Parlamento.

Os ultranacionalistas de Vladimir Zhirinovski poderão ficar excluídos da próxima legislatura, assim como as formações liberais SPS e Iabloko que recolhem entre 1 a 2% das intenções de voto.

Pelo menos três partidos da oposição ficaram fora da corrida, em virtude das exigências da nova lei eleitoral. A maioria das formações não teve acesso aos media que, pressionados pelo governo, dedicaram mais de 85% do seu tempo de antena a Vladimir Putin e ao partido Rússia Unida.

O jornal britânico The Guardian, anunciava que o partido Rússia Unida terá fixado como meta para amanhã, uma vitória com 65% dos votos. Sondagens independentes referem que apenas 35% dos russos apoiam o chamado “Plano Putin”, embora a maioria desconheça as propostas do presidente.

As limitações impostas por Moscovo tinham levado a OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) a anular o envio de observadores internacionais para acompanhar o escrutínio.

Moscovo não esconde que o sufragio é antes de mais um “referendo ao presidente”, que impossibilitado pela Constituição de se apresentar a um terceiro mandato, não exclui a hipótese de ocupar o cargo de primeiro-ministro.