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Europa joga forte em Bali

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Europa joga forte em Bali

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Stavros Dimas é o Comissário Europeu para o Meio Ambiente. Adepto das energias renováveis, sobretudo a solar, Dimas representa a União Europeia na Conferência sobre Aquecimento Global que começou a 3 de Dezembro, em Bali.

O objectivo da delegação europeia é convencer os grandes poluidores como os Estados Unidos ou países emergentes como a China da necessidade de aderir ao esquema europeu anti-emissões CO 2.
Mas o Comissário Dimas tem abertas outras frentes, como limitar o peso dos organismos geneticamente modificados na agricultura europeia.

Sergio Cantone / Brussels Correspondent, EuroNews: Comissário, benvindo à EuroNews, e para falar do que há em jogo em Bali…acredita que a União Europeia vai conseguir criar uma espécie de aliança de vontades para lutar contra a mudança climática?

Stavros Dimas: Necessitamos de um consenso para avançar para o período pós-2012, porque será uma fase decisiva para reduzir as emissões e fazer com que o aquecimento global seja inferior a dois graus Celcius, que é o que a ciência nos diz ser o máximo possível de suportar.

EuroNews: Sim, mas essa é uma ideia da União Europeia que, pelos vistos, está bastante isolada….

SD : Em Bali, primeiro, temos de concordar em começar pelo processo de negociações e pelos elementos que o futuro acordo deve conter. Lá para os fins de 2009, teremos então um acordo para lutar contra as mudanças climáticas de uma forma efectiva.

EN – Politicamente falando, e para atingir os objectivos pretendidos, é importante para estes países, assim como para os Estados Unidos, declarar abertamente a morte de Quioto?

SD – Vemos neste mesmo instante nos Estados Unidos, no congresso, por exemplo, ou em vários Estados, que estão a introduzir mudanças no sistema de compra e venda de quotas de carbono que segundo Quioto são mais eficazes para lutar contra as mudanças climáticas. Por isso, talvez tenhamos Quioto com outro nome mas a estrutura básica sera a mesma…arranjar-nos-emos para que, outros países, e em particular os países em desenvolvimento se juntem a nós. Esse é o desafio para Bali e para o futuro.

EuroNews: No Inverno passado teve uma espécie de mal entendido, chamemos-lhe assim, com um dos seus colegas, o Comissário Verheugen, sobre as emisiones poluidoras dos automóveis. Não acha que a Comissão Europeia enviou uma mensagem contraditória?

SD – Não, não… o vice-presidente Verheugen e eu próprio acordámos com os outros 25 comissários as estratégias contra as mudanças climáticas no que se refere a automóveis. A estratégia inclui a redução das emissões dos carros e de todos os veículos a motor a 130 gramas, menos 10 gramas, por exemplo, no ar condicionado dos carros, através do biocombustível, reduzindo até mesmo 120 gramas por kilómetro.

EuroNews: Acredita realmente que as energias renováveis podem desenvolver-se sem energia nuclear?

Stavros Dimas: Não, não acredito. Estou convencido de que as energias renováveis vão desenvolver-se e vão desempenhar um papel essencial na luta contra as mudanças climáticas e servirão também de guia e modelo para as indústrias na União Europeia. O Nuclear é algo que para a Comissão Europeia é… nós somos neutrais, direi, não tomamos partidos, porque há certos Estados membros que se apoiam muito na sua energia nuclear, como a França, por exemplo. 80 por cento da sua electricidade vem da energia nuclear. Alguns países como a Finlândia e outros estão a começar com a energia nuclear, mas, ao mesmo tempo, outros, estão a abandoná-la.

EuroNews: Há uma acesa polémica à vota das variedades de miho trangénico. Uma é a bt 11; a outra a 1507. O seu ponto de vista é diferente do de outros comissários. Há divergência da Comissão neste assunto específico? Que nos pode dizer sobre isto?

Stavros Dimas: Na Comissão Barroso temos a tradição de decidir por consenso, e por isso estou seguro que daremos com a resposta adequada, conseguiremos tomar a boa decisão porque conhecemos os efeitos a longo prazo do cultivo dessas variedades de milho.

EN – Mas, aparentemente, a Agência Europeia para a Segurança Alimentar não deu uma opinião contra estes dois tipos de milho. É verdade?

SD – Em relação à saúde, tem razão, em relação aos efeitos a longo prazo temos outros estudos específicos que indicam poder haver problemas, por isso temos de ser cautelosos. Se tivermos contaminação de ogm’s, temos dificuldade em fazer marcha atrás para a situação anterior.

Assim, há diferenças de opinião e isso cria certos problemas porque nalguns países a opinião pública é muito forte contra os ogm’s. Mas ainda resta para verificar o que a ciência tem para nos dizer e todas as decisões têm de se basear na ciência.