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Lisboa no centro da nova base de relacionamento entre União Europeia e África

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Lisboa no centro da nova base de relacionamento entre União Europeia e África

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José Sócrates começa a acolher alguns dos 71 chefes de Estado e de governo africanos e europeus que confirmaram a presença na cimeira União Europeia-África, que se realiza este fim-de-semana em Lisboa. Portugal espera usar o seu passado para criar uma nova ponte com África, através do lançamento de novas relações baseadas na igualdade e no diálogo.

É o que defende Fernando Jorge Cardoso, responsável pelo programa África do Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais: “Penso que, desta cimeira, deve-se esperar um acto simbólico, o de terminarmos com as relações do período pós-colonial, que são relações entre doadores e receptores, e iniciarmos uma era, que vai demorar tempo, que é uma era pós-pós-colonial em que o diálogo será sobre as questões que interessam às duas partes”.

Os assuntos comuns são muitos, a começar pela imigração. Mas acima de tudo, a Europa, maior doador e o principal parceiro comercial em África, espera reconquistar a sua influência no continente negro. Sete anos após a realização da última cimeira União Europeia-África, os europeus perderam terreno para a China, que chegou com um forte investimento e uma visão muito maleável de direitos humanos.

Louis Michel, comissário europeu para o Desenvolvimento, defende o fim do paternalismo e do neocolonialismo nas relações com África mas garante que “África e os africanos têm o direito de colaborar com os chineses e com outros parceiros”.

Para além da polémica sobre a presença do presidente do Zimbabué, a cimeira está ameaçada pela tensão sobre o comércio. Alguns países africanos recusam assinar os novos acordos de parceria económica, que acabam com os privilégios de acesso ao mercado europeu.