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Presidente reeleito do Quénia dá ordem para atirar a matar sobre "desordeiros"

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Presidente reeleito do Quénia dá ordem para atirar a matar sobre "desordeiros"

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A vaga de violência provocada pela reeleição do presidente Mwai Kibaki no Quénia arrisca-se a iniciar um conflito étnico no país.

Desde o anúncio, ontem, dos resultados definitivos das legislativas o saldo de vítimas dos confrontos entre militantes da oposição, que contestam a vitória, e forças da ordem ascende a mais de 120 mortos.

Os tumultos registaram-se nos principais bastiões da oposição, nos subúrbios de Nairobi e na cidade de Kisumi, no Leste do país. Entre os mortos encontram-se vários indivíduos de etnia Kikuyo, à qual pertence o presidente e que controla grande parte dos cargos governamentais.

A maioria dos mais de 40 grupos étnicos quenianos tinha-se aliado à oposição do movimento Democrático Laranja de Raila Odinga, representante dos Luos, a segunda maior etnia do país.

Perdedor do sufrágio por apenas 230 mil votos, Odinga acusa o presidente de ter manipulado 300 mil votos para assegurar a reeleição e convocou uma manifestação em Nairobi para o próximo dia 3. “Estamos preparados para lutar pela libertar este país das garras de um grupo de ditadores que não respeitam nem se preocupam com os direitos do povo”, afirmou.

O presidente, que tomou posse ontem logo após o anúncio dos resultados garantiu que vai tomar medidas decisivas para neutralizar os que chamou de “desordeiros”.

Desde ontem, as televisões nacionais estão proibidas de difundir imagens dos motins. No bairro de Mathare, nos subúrbios de Nairobi, foi declarado o recolher obrigatório e o exército garante que vai atirar a matar sobre qualquer distúrbio.

A capital encontra-se bloqueada por exército e polícia que ameaçam deter o líder da oposição, caso se manifeste na quinta-feira.