Última hora

Última hora

Violência pós-eleitoral no Quénia com contornos de princípio de guerra civil

Em leitura:

Violência pós-eleitoral no Quénia com contornos de princípio de guerra civil

Tamanho do texto Aa Aa

Ao final de quatro dias de confrontos pós-eleitorais no Quénia, alguns observadores não hesitam em falar de princípio de guerra civil.

Nos subúrbios de Nairobi e no Oeste do país a repressão policial sobre membros da oposição e as escaramuças entre tribos rivais, provocaram até agora pelo menos 200 mortos.

As acusações de fraude contra o presidente reeleito Mwai Kibaki reabriram as tensões ancestrais contra a etnia do chefe de Estado, os Kikuvu, acusada de monopolizar os cargos de poder.

Os Luo, partidários da oposição, são por sua vez alvo das acções dos militares e paramilitares nos bairros pobres nos arredores de Nairobi. Na cidade de Eldoret, no Oeste do país, 45 pessoas de etnia Kikuvo morreram esta tarde, queimadas vivas, depois de um grupo de homens ter incendiado uma igreja.

Pela primeira vez desde a sua reeleição o presidente Mwai Kibaki propos uma reunião com os partidos da oposição para apelar a população à calma.

Raila Odinga, o perdedor do sufrágio da semana passada convocou para amanhã uma manifestação em Nairobi, proibida pelas autoridades, e que ameaça transformar-se num novo banho de sangue.

Odinga, que ontem se auto-proclamou presidente, acusa o chefe de Estado reeleito Mwai Kibaki de ter manipulado os resultados eleitorais. Uma tese confirmada hoje pelos observadores da União Europeia que acompanharam as legislativas e que exigiram a abertura de um inquérito independente ao desenrolar do sufrágio.

Segundo a Cruz Vermelha os confrontos, vandalismo e pilhagens dos últimos dias terão levado mais de 70 mil pessoas a abandonar as suas casas, em particular no Oeste do país.