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Quénia vive cenário de guerra civil

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Quénia vive cenário de guerra civil

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Perto de cinquenta pessoas foram queimadas vivas numa igreja em Eldoret, no oeste do país, numa altura em que ronda as três centenas o número de mortos nos confrontos após as eleições presidenciais.

Um voluntário da Cruz Vermelha, sob condição de anonimato, disse que foram resgatados 50 cadáveres da igreja onde algumas centenas de pessoas estavam refugiadas dos confrontos que assolam a região.

Centenas de casas e abrigos de Eldoret foram também incendiados. As estradas foram cortadas por bloqueios populares.

A situação está cada vez mais fora do controlo das autoridades do país e para Al Amin Kimathi, da organização não governamental Fórum Muçulmano dos Direitos do Homem, trata-se de “um cenário extremamente assustador. O número de mortos é assustador e está-se assistir a uma escalada da violência que assume proporções de uma guerra civil. Não se pode falar de outra coisa que não seja uma guerra civil”, conclui.

Nos subúrbios de Nairobi e no oeste do país a repressão policial sobre membros da oposição e as escaramuças entre tribos rivais, provocaram em quatro dias pelo menos 200 mortos.

As acusações de fraude contra o presidente reeleito Mwai Kibaki reabriram as tensões ancestrais contra a etnia do chefe de Estado, os Kikuvu, acusada de monopolizar os cargos de poder.

Os Luo, partidários da oposição são por sua vez alvo das acções dos militares e paramilitares nos bairros pobres nos arredores de Nairobi e no leste do país. Os observadores da União Europeia falam de manipulação de resultados e exigiram a abertura de um inquérito independente ao desenrolar do sufrágio.