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Como na guerra fria: Litvinienko afasta Londres e Moscovo

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Como na guerra fria: Litvinienko afasta Londres e Moscovo

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Alexandre Litvinienko no leito de hospital é a imagem que está na origem do braço de ferro entre Londres e Moscovo.

O antigo coronel do FSB, ex-KGB, era cidadão britânico há algumas semanas, quando morreu, em 23 de Novembro de 2003, vítima de uma estranha doença.

Os médicos não conseguiram estabelecer a causa da morte, na altura. Mas um dias depois, foi divulgada uma carta em que Litvinienko acusava Vladimir Putin de o ter mandado assassinar. Ao mesmo temo, as autoridades britânicas afirmaram que Litvinienko tinha sido envenenado com polónio 210.

A viúva, Marina, conta uma história digna da guerra fria:

“Ele disse-me que se sentia como as pessoas que eram envenenadas com armas químicas, pois tinha estudado alguns desses sintomas. Claro que lhe disse: Sasha, é inacreditável, não vejo como, não acredito”.

No dia 4 de Dezembro de 2006, a Scotland Yard enviou nove oficiais a Moscovo em investigação. No dia seguinte, o procurador-geral da Rússia afirmou que não ia extraditar suspeitos, até porque a lei russa não o permite.
Dois dias depois, a polícia britânica passa a considerar a morte de Litvinienko como um assassinato.

Andrei Lugovoi, um antigo agente do KGB, é formalmente acusado do crime pela justiça britânica. Em conferência de imprensa, em Maio de 2007, reclama a inocência e acusa o MI6 e Boris Berezovsky.
O oligarca russo caído em desgraça e exilado em Londres, contra-ataca e acusa o Kremlin da morte de Litvinienko.
“Há alguns meses, uns agentes da Scotland Yard telefonaram-me a informar-me de que havia uma conspiração para me matar… É Putin pessoalmente, Putin quem está por trás, da morte de Litvinienko e, no caso de me acontecer algo… da minha.”
Em Julho do ano passado, a Rússia recusou formalmente extarditar Lugovoi (a Constituição proibe-o). As acusações mútuas de espionagem entre diplomatas prosseguem.