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Plano de redução de CO2 não agrada à indústria nem aos ambientalistas

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Plano de redução de CO2 não agrada à indústria nem aos ambientalistas

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É caso para dizer que o plano da Comissão Europeia, para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, não agrada nem a gregos nem a troianos. A indústria queixa-se: Bruxelas exige demasiado. Os ecologistas lamentam: Bruxelas não exige o suficiente.

Para Philippe de Buck, director da Business Europe, a associação das indústrias europeias, as empresas é que vão pagar: “Temos um duplo custo. Por um lado, porque estamos a falar de indústrias altamente consumidoras de energia, que terão de enfrentar um aumento dos preços da electricidade. Por outro, temos de investir muito em novas tecnologias – o que é bom, pois fortalece a indústria. Mas não queremos ter também os custos das autorizações de poluição.”

Os ecologistas, por seu lado, lamentam que a Europa faça marcha-atrás nos objectivos estabelecidos em Bali, na conferência da ONU sobre o clima, que visavam uma redução de entre 25 e 40 por cento das emissões de CO2. Stephan Singer, da ONG WWF, afirma-se desiludido: “Os governos europeus não ergueram a voz para dizer: ‘Queremos uma redução de 30% das emissões em 2020. Isso é que permite combater as mudanças climáticas, impedir um aquecimento global superior a dois graus’.”

A aposta nas energias renováveis, diz Bruxelas, vai criar um milhão de postos de trabalho, até 2020. Mas provocará um aumento do preço da electricidade, de entre 10 e 15 por cento. Isto porque é preciso investir nas novas tecnologias limpas. Isabelle Valentini, da Associação Europeia de Energia Eólica, bem pode congratular-se: “Os investimentos no sector eólico já são importantes e aumentaram mais de um terço em 2007. Com este plano, vamos continuar a atrair investidores, vamos ter um mercado estável e continuar a crescer.”

Bruxelas quer que o plano entre em vigor em 2009. Para tal, ele tem de ser aprovado pelos Estados membros. Adivinha-se , pois, uma batalha entre os Vinte e Sete, que receiam que o plano provoque um “suicídio económico”.