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Itália atrasa o passo

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Romano Prodi passou de ex-primeiro-ministro e de ex-presidente da Comissão Europeia a “Il Professore”, quando liderou a coligação que ganhou as últimas eleições. O único objectivo dos 13 partidos da aliança, há 20 meses, era derrubar Silvio Berlusconi.

A aposta foi ganha mas o preço foi alto. No dia seguinte já se enumeravam as dificuldades a enfrentar. Apenas com 30 assentos parlamentares de vantagem na Câmara dos Deputados, e dois no Senado, a margem de manobra era mínima.

E o “antiberlusconismo” entre os deputados da coligação, que abrange católicos centristas até comunistas, não chega para cimentar uma base de confiança parlamentar reformadora! Cada sessão de votos transforma-se num psicodrama… nomeadamente a tentativa de reforma do próprio sistema eleitoral, um dos mais complicados do mundo.

Um sistema proporcional quase integral, com fasquias muitos baixas (nalguns casos 2 por cento) para obter representação na Assembleia à escala nacional para os deputados e regional para os senadores.

“A Itália (confirma um analista) precisa de uma reforma eleitoral porque o sistema actual não garante a governabilidade. Está estruturado de uma tal maneira que mesmo havendo uma forma na Câmara Baixa (Parlamento), a maneira como a maioria está estruturada no Senado (Câmara Alta do Parlamento) não permite a formação de coligações governamentais fortes no Senado.”

É por causa da falta de maioria no Senado que não há consenso sobre a política externa, desde Fevereiro do ano passado. A ala esquerda denuncia o envolvimento italiano no Afeganistão porque se opõe ao alargamento de uma base norte-americana no norte do país. A sessão de votos bloqueia. Prodi demitiu-se, mas o presidente reconduziu-o no cargo.

Nova tentativa, sempre com a mesma fragilidade: o grande partido de esquerda criado para apoiar Prodi e rivalizar com a Forza Italia acabou por surgir, em simultâneo, com o partido democrático do presidente da Câmara de Roma, Walter Veltroni.

No plano internacional, Prodi devolveu a credibilidade ao país quando este desconfiava de Berlusconi. Economicamente, reduziu o deficit público para metade. Também lançou um plano de reformas para liberalizar os serviços, de comércio e de certas profissões como a de taxista. São reformas necessárias mas dolorosas. Os italianos vão retirando créditos de popularidade ao mestre.