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Filme da direita holandesa ofende o Islão

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Filme da direita holandesa ofende o Islão

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Um filme anti-Islão que compara o Corão ao Mein Kampf de Adolf Hitler, é a última acção do deputado da extrema-direita da Holanda Geert Wilders. Ainda não foi difundido e já incendeia os ânimos em todo o país.

Os militantes têm protagonizado algumas acções de protesto e as autoridades ainda duvidam que o filme, de uma dezena de minutos, sirva como rastilho de algo incontrolável. Mas, por outro lado, ainda está muito fresco na memória colectiva o episódio das caricaturas dinamarquesas de Maomé.

Wilders, que segue as pisadas do dirigente populista assassinado Pim Fortuyn, já antes fez declarações difamatórias sobre o islão: “Temo que o tsunami da islamização atinja a Europa e a Holanda; o Islão é uma religião violenta e o corão é um livro violento, por isso temos de parar de convidar islâmicos para viverem na Holanda”, dizia em 2006.

Wilders prevê a difusão do filme nos próximos dias, ignorando-se por agora, em que canal, televisão ou internet. Quanto ao conteúdo, afirma que o livro santo do islão é fascista, rasgando e queimando um exemplar. Chegou a pedir a interdição do Corão no Parlamento, há alguns meses… Por causa disto já foram feitas reuniões de emergência. Vivem 850 mil muçulmanos na Holanda.

Os representantes do islão moderado também se mobilizam; o presidente da associação de marroquinos apela à calma: “Queremos deixar claro que a Holanda não é apenas o país de um só homem, Wilders, mas também dos muçulmanos que aqui vivem. E tudo o que magoa a Holanda também os magoa”. O partido para a liberdade de Wilders obteve 6 por cento de votos nas legislativas de 2006.

Na rua, os holandeses mostram pouco acolhimento a esta intolerância: “Bem, não acho que seja sensato da parte de Wilders provocar uma discussão neste sentido. Há outras maneiras de o fazer”. “É tudo bom e bonito, esta liberdade de expressão, mas alguém tem de ter cuidado com o modo como o faz”.

Wilders usufrui de protecção policial reforçada. Ninguém esquece o assassínio do realizador Theo Van Gogh, em Novembro de 2004, por um extremista marroquino. Foi ele o autor do filme “Submissão”, consagrado ao lugar da mulher no islão. Era um filme bem menos agressivo do que o filme panfletário que está para sair.