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Suharto: o ditador que escapou à justiça indonésia

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Suharto: o ditador que escapou à justiça indonésia

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As imagens mais recentes deste homem idoso e doente, várias vezes hospitalizado desde a sua demissão da presidência em 1998, não devem fazer esquecer que, durante 32 anos, o general Suharto governou a Indonésia com mão de ferro.

Nascido em 1921, Suaharto foi combatente da guerra pela independência entre 1945 e 1949, que levou à partida das forças holandesas.

Chefe do Estado-Maior em 1965, esmaga uma conspiração comunista, que muitos o acusam de ter sido o próprio a fomentar. Segue-se um massacre de cerca de um milhão de comunistas do PKI e a tomada do poder por Suharto, às custas de Sukarno, pai da independência, entretanto abandonado pelo exército.

A virulenta oposição de Suharto ao comunismo alimenta especulações sobre a sua ligação à CIA. Uma das suas primeiras medidas foi a oposição à nacionalização dos bens das companhias petrolíferas americanas, que Sukarno se preparava para executar.

Suharto é oficialmente eleito presidente pela Assembleia em 1968, e reeleito a cada cinco anos. O Clã Suharto compõe uma vasta rede de corrupção e nepotismo. Depois da saída das tropas portuguesas de Timor Leste, em 1975, o exército indonésio toma posse dessa parte da ilha, dando início a uma guerrilha sangrenta.

O conflito só foi interrompido com a queda do regime Suharto em 1998, em plena crise económica, que ameaçava o desmembramento do Estado indonésio, na sequência da multiplicação de movimentos de emancipação provenientes de diversas ilhas.

Seguiram-se tentativas de levar o general a tribunal, para que explicasse a imensa fortuna acumulada ao longo de 30 anos de poder. O ditador acabaria por fugir à justiça, considerada a idade avançada e o débil estado de saúde.

Em Janeiro de 1998 a revista Forbes estimou a fortuna Suharto em 16 mil milhões de dólares. Números que a CIA viria a corrigir, com uma avaliação que elevava o montante a 35 mil milhões.