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Presidência europeia da Eslovénia já é comparada à portuguesa

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Presidência europeia da Eslovénia já é comparada à portuguesa

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O primeiro-ministro da Eslovénia, que lidera um governo de centro-direita, também exerce a presidência rotativa da União Europeia, desde Janeiro. Os especialistas consideram que a sua presidência pode ter o mesmo sucesso que a de Portugal. Janez Jansa acha que os projectos mediterrânicos não devem de certa forma “atropelar” as instituições europeias, mas o seu país promove a primeira universidade Euro-Mediterrânica.

EuroNews – (…) A presidência eslovena da União Europeia está a meio caminho. O que pensa do que foi feito e do que ainda há a fazer?

Janez Jansa – Até aqui, provámos que a presidência não é uma tarefa assim tão difícil para um novo membro da União Europeia, apesar de termos de enfrentar verdadeiros desafios.

EuroNews – Está a preparar as iniciativas especiais para tentar resolver o abrandamento económico?

Janez Jansa – Primeiro, a situação na União Europeia é, segundo essa análise, bem melhor, em melhor saúde que a dos Estados Unidos. Daí não estarmos a fazer face a uma recessão mas, como o senhor diz, a um abrandamento.

EuroNews – Acha que as taxas de juro, talvez depois do Verão, podem ser reduzidas?

Janez Jansa – Bem … (risos)

EuroNews – Estou certo de que vai dizer-me para perguntar ao Trichet…

Janez Jansa – Pois deve perguntar a Trichet: Penso que essa medida deve ser tomada se as tendências prosseguirem, mas claro que a principal preocupação, se falarmos de inflação, é um euro forte e uma defesa contra o aumento do preço do petróleo.

EuroNews – Um outro dossiê dos seus seis meses de presidência é a União Mediterrânica. Suponho que está a trabalhar para a Cimeira em Paris, que vai continuar com a presidência francesa. Qual é a principal proposta?

Janez Jansa – Devemos melhorar o processo de Barcelona, precisamos valorizar a cooperação na região do Mediterrêneo mas não necessitamos ultrapassar as instituições europeias e não precisamos dividir a União Europeia sobre este dossiê, entre os países que têm a costa mediterrânica e aqueles que não têm.

EuroNews – Considera que apagar Barcelona, como foi decidido no Verão passado, não é um duche d‘água fria nesta iniciativa? E Barcelona não foi um sucesso.

Janez Jansa – No início foi um sucesso, mas a situação mudou desde o tempo em que o processo foi lançado e precisamos melhorar, temos de arranjar projectos concretos que valorizem a cooperação e a Eslovénia, se me posso permitir, contribuirá para estes projectos concretos, oferecendo esta universidade euro-mediterrânica que vai abrir no próximo mês de Junho.

EuroNews – Quanto ao Kosovo: pensa que a declaração de independência unilateral foi uma decisão acertada?

Janez Jansa – Melhor solução teria sido uma negociação entre Pristina e Belgrado, se houvesse possibilidade dos dois países viverem juntos… mas acho que essa possibilidade foi perdida nos anos de Milosevic.

EuroNews – Uma última questão acerca da China e do Tibete: acha que a União Europeia dará algum passo antes dos Jogos Olímpicos?

Janez Jansa – Por um lado, a União Europeia é, claro, um forte apoiante dos Direitos do Homem e temos de condenar qualquer violação, quaisquer hostilidades contra as minorias, contro o povo que se manifesta pacificamente; por outro lado, a China é uma potência mundial, precisamos do acordo da China na questão das alterações climáticas e há intensas relações comerciais entre a União Europeia e a China e isso tem a sua influência. Claro que temos de pesar os interesses e valores. Mas não acho que boicotar os Jogos seja uma opção séria, porque temos de separar o desporto e o espírito olímpico da política.

EuroNews – Não receia que alguém, em Belgrado, diga que “a China não é a Sérvia”, tentando comparar as situações.

Janez Jansa – Há uma grande diferença, o Kosovo está na Europa e o Tibete não está no continente europeu. É no nosso mundo, sim, também nos diz respeito a nível de direitos humanos, mas a União Europeia não pode resolver do mesmo modo os problemas no seu continente e fora dele.