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Aldo Moro: 30 anos depois

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Aldo Moro: 30 anos depois

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A Itália homenageia Aldo Moro, líder da Democracia Cristã e catedrático de Direito Penal, assassinado há 30 anos pelas Brigadas Vermelhas (grupo de guerrilha urbana da extrema-esquerda italiana). Nesta sexta feira de manhã, decorreu a cerimónia oficial na via Caetani, onde o corpo de Aldo Moro foi deixado, a 9 de Maio de 1978.
Os brigadistas estacionaram o carro em pleno centro de Roma, a meio caminho entre entre as sedes da Democracia Cristã e do Partido Comunista.
Foi o fim trágico depois do cativeiro de 55 dias numa cela construida dentro de um apartamento, vizinho da casa de um agente dos serviços secretos.
Para o raptar, os criminosos mataram cinco guarda-costas.
Primeiro-ministro cinco vezes, Moro pertencia à ala progressista da Democracia Cristã. Em plena guerra fria negocia com com Enrico Berlinger, o chefe do PCI, o compromisso histórico que promovia uma aliança para fazer face à crise que atingia Itália.
Um dos juízes instrutores do processo considera que foi isso que lhe custou a vida. Fernando
Imposimato afirma que Cossiga tinha interesse em que Moro não fosse libertado, na sua eliminação pelas Brigadas Vermelhas, porque estava na origem do “compromisso histórico”, do dálogo entre católicos e comunistas, e cossiga não queria. Além disso, tinha uma rivalidade pessoal em relação a Moro.
Aos que se perguntam porque é que o Estado italiano recusou negoviar com as Brigadas Vermelhas para obter a libertação de Aldo Moro, a filha, Maria Fida, desmente que a família tenha negociado directamente.
“Não diria que houve negociações directas , mas sim que houve uma série de negociações externas e mesmo internacionais, importantes, como da Caritas e da ONU, que a família apoiou, mas foram todas travadas violentamente, por um poder muito forte”.
30 anos depois, muitas zonas sombrias deste trágico caso persistem. A 1 de Maio o governo aprovou uma lei que permite o acesso a documentos secretos para resolver, de uma vez, o mistário do rapto e morte de Aldo Moro.