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Birmânia realiza referendo entre escombros do ciclone Nargis

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Birmânia realiza referendo entre escombros do ciclone Nargis

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Contra ventos e marés, o referendo à reforma constitucional iniciou-se esta manhã na Birmânia.

Um sufrágio convocado pela Junta militar, antes de mais, para calar as críticas internacionais ao regime, depois do exército ter esmagado, em Setembro, a revolta dos monges budistas.

A nova Constituição prevê a convocação de eleições multipartidárias a partir de 2010, mas reforça também o poder dos militares, a quem atribui 25% dos lugares no parlamento.

O analista político Larry Jargan, considera o referendo como uma farsa: “O regime só autorizou os partidários do Sim a fazerem campanha. Os que defendem o Não foram proibidos de manifestar-se ou detidos, e os debates públicos estão proibidos.

O texto constitucional bloqueia também o acesso à presidência aos nacionais casados com estrangeiros, como a opositora Aung San Suu Kyi, detida pelo regime depois de vencer as eleições de 1990.

Sem a presença de observadores internacionais, o sufrágio, controlado pela Junta, deverá ser marcado por uma elevada abstenção, o que não impedirá a vitoria anunciada do Sim. Única concessão do regime, face ao estado calamitoso do país, o adiamento do referendo para dia 24 nas zonas afectadas pelo furacão Nargis.

O texto que vai hoje a referendo encontra-se à venda desde Março, por cerca de 60 cêntimos, num país marcado pela pobreza e onde o salário médio não supera os 55 euros mensais.