Última hora

Última hora

Ajuda internacional alimenta apenas a propaganda da Junta birmanesa

Em leitura:

Ajuda internacional alimenta apenas a propaganda da Junta birmanesa

Tamanho do texto Aa Aa

Uma semana após a passagem do ciclone Nargis, pela Birmânia, dois terços dos mais de um milhão e meio de sinistrados continuam sem acesso a ajuda humanitária. As imagens da televisão oficial mostram os membros da Junta militar a distribuir caixas de mantimentos vindos da Tailândia, mas onde foram inscritos os nomes dos generais do regime.

Os generais aceitaram ontem a entrada de 20 toneladas de mantimentos, mas não das agências humanitárias estrangeiras, que continuam a debater-se para obter um visto de entrada. A oposição afirma que o número de mortos aumenta de dia para dia por causa das restrições, a ONU avança a possibilidade de surtos epidémicos de cólera nos próximos dias. O regime fala de 72 mil mortos e desaparecidos, fontes diplomáticas avançam o número de mais de 100 mil mortos.

Apesar da pressão internacional crescente, a Junta manteve ontem o referendo à nova Constituição. Para o regime, aquele que é o primeiro sufrágio dos últimos 18 anos, é antes de mais, uma forma de melhorar a imagem internacional, através da promessa de eleições multipartidárias em 2010. A oposição fala, no entanto, de um simulacro de democracia e de uma nova lei fundamental que reforça o poder dos generais que controlam o país há mais de 40 anos.

Ontem Alemanha e França voltaram a criticar as condições em que se realiza o sufrágio, por entre a devastação provocada pelo ciclone. Washington preferiu apelar ao regime para dar prioridade à ajuda à população. O primeiro voo de ajuda humanitária norte-americana deverá aterrar segunda-feira em Rangun.