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Sérvia: Tadic precisa de aliados até Setembro sob pena de voltar às urnas

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Sérvia: Tadic precisa de aliados até Setembro sob pena de voltar às urnas

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Com cerca de 39 por cento dos votos, a coligação europeísta do presidente Tadic ganhou as eleições sérvias, é inegável. Mas será que vai governar o país? Um dia depois das eleições, a questão fica em suspenso pois nenhuma força política está em situação de formar governo. E nas ruas de Belgrado os cidadãos estão contentes pela vitória, mas apreensivos:

“Podia ser melhor”, como diz um cidadão que vai “continuar à espera de um melhor amanhã.”

Outra afirma só esperar que os partidos cheguem a acordo depressa para que possam ter um novo governo.

Um terceiro cidadão, mais pessimista, está céptico quanto ao futuro: acha que não haverá acordo e que vão ter de ir às urnas outra vez, dentro de quatro meses.

Domingo à noite, os democratas de Tadic exultaram de alegria com buzinadelas e fogo de artifício. A possibilidade de a Sérvia poder tornar-se membro da União Europeia parecia estar à mão e Tadic agradecia:

“Obrigado a vós, é uma grande vitória, mas não é o fim. Temos de formar governo o mais depressa possível e então seremos os vencedores.”

A vitória proclamada pelo presidente foi, imediatamente, diminuida pelo opositor radical, o ultranacionalista Tomislav Nikolic.

“Os cidadãos têm o direito de festejar a vitória dos partidos, mas Boris Tadic não tem o direito de transformar essa celebração na celebração de quem vai formar governo”.

De facto, tudo é possível. Com 102 assentos parlamentares em 250, o Partido Democrático não pode governar sozinho e nem a ajuda dos 14 deputados do Partido Liberal o conseguirá fazer.
Tudo indica que Tadic vai tentar convencer vários deputados das minorias húngara, albanesa e Bósnia, que somam sete lugares no Parlamento.

Quanto ao Partido Radical Sérvio, que conseguiu 77, planeia uma aliança com o partido de Kostunica.

O primeiro ministro cessante passou de europeísta convicto a crítico céptico da União Europeia, depois de alguns membros terem reconhecido a independência do Kosovo.

Os socialistas poderão aliar-se tanto a uns como a outros, e é aí que reside a dúvida. Se Tadic não congregar os apoios de que necessita para formar governo, os sérvios terão de voltar às urnas em Setembro.