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Bush e o Médio Oriente

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Bush e o Médio Oriente

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A esperança de ver um acordo de paz assinado entre israelitas e palestinianos, antes do fim do mandato de Georges W. Bush, tem tanto sentido como os chekpoints vazios entre o Estado hebreu e os territórios ocupados.

De um lado, um Estado em potência sufocado pelo bloqueio israelita, dividido entre a Cisjordânia e Gaza, dirigido pelo Hamas e vítima de violências diárias.

Por outro, um Estado com um primeiro ministro fragilizado por um escândalo de corrupção, que continua a aumentar os colonatos. Os analistas consideram ser difícil encontrar momento mais propício para o processo de paz.

Só que também não é fácil recuperar da inacção de sete anos. A visita de George W. Bush, em Janeiro, foi a primeira desde a chegada ao poder. Uma ausência tanto mais notada quanto mais se recordam os esforços repetidos do antecessor, Bill Clinton.
George Bush também gostava de deixar uma imgem tão forte como a de Oslo…

Mas as esperanças suscitadas em Novembro de 2007 pelo relançamento tardio mas efectivo do processo de paz em Annapolis foram frustradas meses depois.
Abbas e Olmert tinham-se comprometido a negociar um acordo e a criação de Estado palestiniano mas a cisão entre palestinianos complica a aceitação das condições necessárias ao acordo.

Face ao impasse, o Líbano e a instauração de um governo pró-ocidental depois da libertação do jugo sírio, freou os ânimos em relação ao sucesso americano na região. Também aí tudo falhou. Na terça-feira, George Bush falava de Fouad Siniora, com quem esteve no Egipto, nestes termos:

“Acho que o mundo árabe necessita de o apoiar com mais força e que deve tornar claro que iranianos e sírios permitam que este homem bom governe o país sem interferência. “

É o discurso de sempre, com os bons num lado e os maus noutro, o eixo do mal que é preciso combater a todo o custo, excluindo qualquer discussão com o Hamas e o Hezbollah. Uma estratégia que não trouxe frutos e apenas envenena mais as relações.

O lamaçal iraquiano em que se afundam os Estados Unidos é disso exemplo. Bush gostaria de o fazer esquecer com um passe de mágica no Médio Oriente… mas a paz é obra para uma vida.