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Dublin: fim das bombas de fragmentação?

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Dublin: fim das bombas de fragmentação?

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A conferência para interditar as bombas de fragmentação teve início esta segunda-feira em Dublin. Estão representados 128 países, mas a Rússia, Estados Unidos, China, Israel, Índia e Paquistão, os maiores produtores destas armas mortíferas para os civis, primam pela ausência.

O ministro irlandês dos Negócios Estrangeiros, Michael Martin, recebeu uma petição de 700 mil assinaturas para proibir o uso, produção e comercialização das bombas de fragmentação.

Os Estados Unidos têm 700 a 800 milhões destas bombas em armazém. São largadas de grandes contentores e é suposto detonarem e fragmentarem-se em pequenas bombas; mas o facto é que há sempre entre 5 a 40% que se dispersam numa zona ampla onde permanecem activadas de forma permanente, prestes a explodir ao primeiro contacto físico.

Durante a intervenção militar da NATO na Sérvia, em 1999, os aliados lançaram bombas de fragmentação do tipo CBU de fabricação norte-americana.

O CBU-87 é uma arma que contém 202 minibombas em pequenos cilindros amarelos do tamanho de uma garrafa de refrigerante.

Israel lançou quatro milhões de bombas de fragmentação no sul do Líbano em Julho de 2006. Um milhão não explodiu. As pequenas munições estão perdidas numa área de 37 km2.

Desde então, 250 civis ficaram feridos ou morreram ao tocarem-lhes. Acabam por funcionar como as minas, que impedem a agricultura e os transportes e provocam imenso sofrimento.

Naema Ghazi vive em Bleeda, no Sul do Líbano. Pisou uma destas prquenas bombas.

Conta que regressava do campo, caminhava e não percebeu como explodiu e ficou a sangrar. Sentiu, imediatamente, que perdera a perna, estava ligada ao corpo por uma veia, apenas.

As crianças são as maiores vítimas. Zhara Hussein, de 11 anos, perdeu seis dedos. Não pode brincar como antes e os colegas de escola gozam com ela.

Deseja apenas uma coisa: que os dedos renasçam.