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Irlandeses residentes em Bruxelas falam dos medos face ao Tratado de Lisboa

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Irlandeses residentes em Bruxelas falam dos medos face ao Tratado de Lisboa

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Bruxelas tem os olhos postos na Irlanda. Na próxima quinta-feira, os irlandeses vão às urnas votar o Tratado de Lisboa. Uma sondagem divulgada na sexta-feira dá a vitória ao não, o que a confirmar-se pode fazer descarrilar pela segunda vez o processo, depois do não de franceses e holandeses há três anos.
A poucos dias do referendo, a Euronews foi a Bruxelas sondar os irlandeses aí residentes.
“A preocupação de uma parte do eleitorado irlandês será, porventura, que a União Europeia não beneficie no futuro a Irlanda na mesma medida que o fez no passado”, diz Kevin Keary.
“O lado do não tentou dizer que isto vai, de certa forma, restringir a nossa independência e a nossa capacidade de estabelecer a nossa política fiscal e as nossas taxas de impostos. As pessoas jogaram também com os medos dos agricultores e disseram que isto seria mau para a sua subsistência. Na verdade, eu próprio sou proveniente de uma quinta na Irlanda e, por isso, entendo estes medos e sei também que a União Europeia tem sido esmagadoramente positiva para os agricultores irlandeses”, acrescenta Joe McMale.
Outra emigrante irlandesa, Martina Daly considera que a crise do crédito pode influenciar os eleitores, já que a Irlanda é um dos países da União Europeia mais afectados por ela. “As pessoas estavam nervosas, porque tiveram, ao mesmo tempo, a crise do crédito, as reformas da política agrícola comum, que já estão em curso, e, depois, têm as conversações sobre o comércio mundial, que não eram parte do tratado, mas que foram usadas contra a campanha do sim, que foram usadas na campanha do não”, explica.
Alguns dos milhares de irlandeses que vivem em Bruxelas ainda estão indecisos quanto ao sentido de voto. O músico Peter O’Malley não está convencido quanto às virtudes do Tratado de Lisboa e receia mesmo que a Irlanda possa perder alguma coisa. “Basicamente, a independência e eu pergunto-me se estamos a desistir de muito para obter algo maior, se é que entende o que eu quero dizer… A consolidação da Europa é brilhante, mas depois não os queremos … não queremos os burocratas a interferirem em tudo”, realça O’Malley.
O presidente do Instituto de Estudos Europeus da Universidade de Bruxelas, Mario Tèlo, acha que um mini-plano B será suficiente para ultrapassar a crise provocada por um não irlandês. “A Europa pode avançar mais facilmente com o não de um pequeno país como a Irlanda, do que com a crise mesmo no centro da Europa, como foi o caso francês. Isso fez com que a questão fosse abordada de um modo razoável, como é que eu posso dizer, politicamente mais atractivo, como foi feito pelo Tratado de Lisboa”, sublinha o responsável pelo Instituto.
Mesmo que a União Europeia ultrapasse uma possível rejeição irlandesa, negociando algumas alternativas, um não pode aumentar a pressão sobre o vizinho: o Reino Unido. O Governo de Gordon Brown pode sentir-se obrigado a referendar também o Tratado de Lisboa.