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"Não" irlandês lança nova crise na UE

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"Não" irlandês lança nova crise na UE

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Seis meses depois de nascer, o Tratado de Lisboa recebeu um contundente “Não” irlandês que reaviva o fantasma da crise na Europa dos Vinte e Sete.

Ratificado por 18 países, o texto falhou a “prova de fogo” no referendo na Irlanda, chumbado por 53,4 por cento dos votantes. A festa desta sexta-feira 13 foi para o campo dos eurocépticos.

A procura de uma solução vai coincidir agora com a próxima presidência rotativa da União Europeia, que cabe à França de Nicolas Sarkozy. Uma ironia do destino, já que foi o “Não” dos franceses à falhada Constituição Europeia que conduziu ao tratado simplificado assinado a 13 de Dezembro em Lisboa.

O tom é de desgosto nas palavras do secretário de Estado francês para os Assuntos Europeus, Jean-Pierre Jouyet: “Sinto-me mais do que afectado. Estou devastado, mas penso que devemos aceitar a decisão do povo irlandês, apesar de a lamentarmos”.

A rejeição irlandesa transforma o próximo encontro de líderes europeus numa “cimeira de crise”. Durão Barroso defende a continuação do processo de ratificação.

“Os Vinte e Sete chefes de Estado e de Governo vão encontrar-se na próxima semana e devem analizar como proceder. Penso que o Tratado está vivo e devemos agora tentar encontrar uma solução”, explicou o presidente da Comissão Europeia.

Com a derrota do “Sim” que tanto defendia, o recém designado primeiro-ministro irlandês Brian Cowen reconheceu o fracasso do seu governo e tentou tranquilizar os restantes Estados-membros: “Quero deixar claro aos nossos parceiros europeus que a Irlanda não tem qualquer desejo de bloquear o progresso de uma União que tem representado a maior força, paz e prosperidade da história da Europa”.

Os defensores do Tratado reconhecem o “Não” irlandês como um enorme passo atrás nos esforços de integração europeia.