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Mártires da Hungria: o tributo oficial meio século depois

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Mártires da Hungria: o tributo oficial meio século depois

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Já com direito a tributo oficial, um a um, os mártires da Hungria, que em 1958 foram condenados pelo regime pró-soviético, revivem nas salas de audiênias.

A voz de Imre Nagy ecoa numa sala de Budapeste. O registo de 52 horas de processo foi divulgado, pela primeira vez, em tempo real a partir de 9 de Junho, exactamente como há 50 anos. O processo contra Nagy e os camaradas foi gravado para propaganda, mas os acusados nunca se arrependeram e as gravações mantiveram-se sercretas.

Com o manto de silêncio pretendia-se cobrir os acontecimentos de Outubro de 1956, quando os húngaros foram para as ruas de Budapeste exigir a retirada das tropas soviéticas, a independência e o regresso de Imre Nagy, o primeiro-ministro destituído em 55, pela ala estalinista do partido. O
o presidente soviético Nikita Kruchov tinha condenado os métodos estalinistas, reaquecendo as esperanças de maior autonomia nos países do bloco de leste.

Nagy regressou para assumir a liderança da revolta húngara e ser de novo primeiro-ministro de um governo de coligação. Protagonizou a saída da Hungria do Pacto de Varsóvia, o que provocou a intervenção russa, que esmagou a revolta anti-soviética em apenas 12 dias.
Não era possível renegar a aliança militar dos países do bloco comunista durante a Guerra Fria.

Cerca de 200 mil húngaros fugiram para a Áustria e a ex-Jugoslávia. Nagy foi preso três semanas depois. Dois anos mais tarde foi executado, com o general Pal Maleter e o jornalista Miklos Gymish.

Primeiro foram enterrados no corredor da prisão Em 61, foram transladados, com outra identidade, para um cemitério. Só com a queda do comunismo tiveram direito à reabilitação e a um funeral com todas as honras no cemitério principal da capital húngara.