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"Bochechas" do Zimbabué, um homem-coragem

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"Bochechas" do Zimbabué, um homem-coragem

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Morgan Tsvangirai, o homem que ousou desafiar Robert Mugame, combateu, durante anos, o regime pós-colonial do Zimbabué. Primeiro como sindicalista e depois como líder político do Movimento para a Mudança Democrática, o MDC.

E mesmo que o sentido prático seja colocado em dúvida, ninguém pode deixar de reconhecer a coragem e os sacrifícios deste homem.

“O regime querque desistamos”, afirma. “Vivemos à sombra de um Estado criminoso. O ditador controla a distribuição dos poucos alimentos disponíveis e distribui os cargos pelos amigos, premiando quem lhe agrada”.

Seguro da popularidade, Tsvangirai fundou o partido, em 1999. Um ano depois, o MDC já era a alternativa mais credível às eleições legislativas. Apesar das violências durante a campanha eleitoral e uma trintena de mortos entre os apoiantes “o bochechas do Zimbabué”, como lhe chamam carinhosamente, ganhou metade dos assentos parlamentares.

Tsvangirai estava consciente dos extraordinários obstáculos a enfrentar para poderem votar e do excepcional resultado do MDC, assegurando o debate saudável no Parlamento.

Mas em 2002, perdeu à justa para Mugabe, nas eleições presidenciais consideradas fraudulentas pelos observadores internacionais. Seguiu-se um período difícil para Tsvangirai e os partidários. O líder da oposição foi acusado, duas vezes, de traição por conspiração contra o chefe de Estado, passível de pena de morte.

Tsvangirai continuou a desafiar o poder vingente e denunciou a perseguição política… finalmente, foi absolvido no dia 15 de Outubro de 2004.

Em 2007, compareceu no tribunal desfigurado pelas autoridades, que um prenderam numa manifestação considerada ilegal. Não foi a primeira agressão que sofreu: em 1997 escapou à morte quando um grupo de desconhecidos tentou empurrá-lo pela janela do segundo andar de um escritório.