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Golpe de Estado propulsionou al-Bachir para o poder

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Golpe de Estado propulsionou al-Bachir para o poder

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Omar al-Bachir é um militar de carreira que chegou ao poder através do golpe de Estado apoiado pelos islamitas de 1989.

Em 1993, autoproclamou-se presidente da república e passou a acumular todos os poderes antes de ser eleito pela primeira vez em 1996, no final de um escrutínio considerado como uma autêntica farsa.

Os seus 19 anos de presidência do Sudão, o maior país africano, ficaram marcados pela guerra, numa primeira instância e depois pela paz com o sul cristão e animista. Em 2003 começou o conflito no Darfur.

As aldeias desta província, como a de Seleia, em Fevereiro de 2008, são assoladas pela violência. Os civis negros são alvos dos ataques das forças sudanesas e das milícias árabes pró-governamentais chamadas, Jenjaweed, que combatem os grupos rebeldes do Darfur.

Quando as forças da UNAMID chegaram a Seleia, tudo o que encontraram foi 200 dos 25 mil habitantes que aí viviam antes do ataque.

Os sobreviventes contaram que 16 pessoas foram assassinadas, umas nos bombardeamentos aéreos, outras por milicianos a cavalo.

Cartum admite recorrer ao que chama de milícias de autodefesa para combater os rebeldes, mas nega qualquer ligação aos jenjaweeds que são acusados de limpeza étnica contra a população negra.

A cavalo ou em camelo os jenjaweeds atacam as aldeias previamente bombardeadas, matam os homens, violam as mulheres e roubam tudo o que podem.

Muitas mulheres dizem ter sido vítimas de raptos levados a cabo pelos jenjaweeds e mantidas como escravas sexuais durante dias antes de serem libertadas.

De acordo com as Nações Unidas, o conflito fez 300 mil mortos, 200 mil refugiados no Chade e dois milhões de deslocados que vivem em campos.

Depois de ter impedido durante anos a chegada de capacetes azuis, Omar al-Bachir aceitou a presença no Darfur da UNAMID. Esta força da ONU conta actualmente com nove mil soldados e deverá passar a ter 26 mil homens.