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Países devem reduzir subvenções à produção agrícola nos próximos cinco anos

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Países devem reduzir subvenções à produção agrícola nos próximos cinco anos

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Dois meses depois dos atentados do 11 de Setembro, os membros da Organização Mundial do Comércio reuniram-se em Doha. Uma reunião que deu início a um ciclo de negociações para baixar as subvenções e os direitos aduaneiros. O objectivo era fazer com que os países pobres beneficiassem do comércio global, secando assim o terreno fértil do terrorismo.

Robert Zoellick, na altura representante norte-americano para o comércio, negava uma divisão norte-sul: “Nós temos sido fortes defensores depois da Ronda do Uruguai, em termos de tentar reduzir, eliminar os subsídios à exportação, reduzir substancialmente os subsídios domésticos que estão a distorcer o comércio e de aumentar também o acesso ao mercado.”

Mas as negociações arrastaram-se, porque a OMC já não é um clube de dezenas de países desenvolvidos. É agora uma organização constituída por 153 estados, submersa pelas negociações para fixar as regras comerciais de milhares de produtos.

Dos três domínios de negociações, indústria, serviços e agricultura, é neste último que se têm registado maiores avanços. Os países do Norte aceitaram suprimir, em 2013, todas as subvenções às exportações. E nos próximos cinco anos deverão reduzir as subvenções à produção agrícola: – a União Europeia deve diminuir entre 75 a 85 por cento; – o Japão e os Estados Unidos entre 66 e 73 por cento; – os outros países desenvolvidos entre 50 a 60 por cento.

A agricultura representa somente 8 por cento do comércio mundial, mas continua a ser um sector importante para as economias emergentes, que querem exportar mais e mais barato. Isto é visto como liberalismo perigoso por alguns países do norte, como a Irlanda.
“A agricultura é uma indústria muito importante na Irlanda. Nenhuma indústria fundamentalmente importante pode ser usada como moeda de troca”, defende o ministro irlandês para os Assuntos Europeus, Dick Roche.

No domínio da indústria, que representa 72 por cento do comércio mundial, há países que consideram mal recompensados os esforços feitos na agricultura. Denunciam os privilégios consentidos, sobretudo à China e ao Brasil, que protegem indevidamente as suas indústrias automóveis nascentes.