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Karadzic: de herói nacionalista a criminoso de guerra

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Karadzic: de herói nacionalista a criminoso de guerra

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É considerado um herói para os sérvios da Bósnia e um pária para a população muçulmana e para a comunidade internacional.

Durante 11 anos Radovan Karadzic, conseguiu escapar a todas as tentativas de captura. Mais do que o criminoso de guerra, foi o homem que incarnou o sonho de criar uma grande Sérvia, o que beneficiou da cumplicidade de uma comunidade desiludida com o desmoronamento da Jugoslávia.

Filho de um sapateiro e de uma camponesa do Montenegro, chega aos 15 anos a Sarajevo para estudar medicina e formar-se em psiquiatria. Especialista em neuroses e depressões, Karadzic propõe-se curar a desilusão dos sérvios da Bósnia.
Primeiro, através da poesia, que o aproxima dos círculos intelectuais nacionalistas, depois, através da política.

No final dos anos 80, os seguidores de Slobodan Milosevic convidam-no a fundar o SDS, o partido democrático da sérvia.

Depois da independência da Bósnia, a formação organiza a resistência armada do campo sérvio. Karadzic declarara a independência da república Srpska e autoproclama-se presidente.

Ao lado do general Ratko Mladic inicia uma campanha de limpeza étnica contra a população muçulmana.

Em Julho de 1995, mais de 8 mil muçulmanos vão ser mortos e enterrados em fossas comuns, na aldeia de Srebrenica, sob o olhar dos capacetes azuis que são utilizados como escudos humanos.

As imagens aumentam a indignação internacional e serão decisivas para reforçar a pressão sobre as autoridades sérvias na caça ao criminoso.

Se durante 11 anos Karadzic, como herói do nacionalismo sérvio, conseguiu despistar inimigos, é agora Belgrado que o obriga a dar-se por derrotado, como criminoso de guerra.