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Turquia em fase de turbulência política

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Turquia em fase de turbulência política

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A Turquia vive um periodo de incerteza política desde que o procurador-geral turco requereu em Março ao Tribunal Constitucional a ilegalização do Partido da Justiça e Desenvolvimento o AKP do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, acusado de arrastar o regime secular para lei islâmica. As divisões têm vindo a acentuar-se desde Janeiro altura em que o governo decidiu levantar a interdição do uso do véu islâmico nas universidades.

Os sectores laicos, apoiados por uma elite militar que defende o princípio da laicidade do Estado não tardaram a manifestar-se e o Tribunal Constitucional anulou essa reforma em Junho último. “Este governo começa a compreender que cometeu erros estratégicos e agora questiona-se sobre a forma sair desta estratégia e voltar a vida democrática normal” comenta Huseyin Bagci professor de Ciências Políticas.

Ao ambiente político já muito crispado junta-se caso Ergenekon, da rede nacionalista desmantelada nos dois últimos meses e que visava desestabilizar o país. Entre os alegados membros estão dois generais de quatro estrelas Os conservadores islâmicos denunciam a existência de “golpe de estado constitucional”.

Acusações sem fundamento para o historiador Ali Ozek:“Dsde que um partido islâmico chegou ao poder os laicos dizem incessantemente que o AKP vai suprimir liberdades aplicando a Sharia, mas esquecem-se que mesmo sob o império Otomano ninguém neste país foi punido em nome da Sharia.

Nos últimos 50 anos foram dissolvidos na Turquia vinte partidos. O AKP goza hoje de uma popularidade incontestável a que não será alheio o boom económico resgistado no país, o que pode explicar os 47% obtidos na eleições do ano passado, um grande salto dos 34% de 2002.

A ilegalização do AKP levará à queda do governo e ao atraso do processo de adesão da Turquia à União Europeia.