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Rússia-Nato: o difícil equilíbrio de interesses

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Rússia-Nato: o difícil equilíbrio de interesses

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O que, antes, era apenas um receio teórico de Moscovo, passou a realidade de facto graças ao conflito na Geórgia.

O Kremlin temia o alargamento da influência da NATO na região e tudo fez para o contrariar.
Na cimeira de Abril da Aliança Atlântica, o então presidente Putin apenas fez alguns avisos.

Só que agora, com a instabilidade política georgiana e ucraniana, as ameaças russas são mais específicas.

As candidaturas da Geórgia e da Ucrânia, apoiadas pelo Ocidente, constituem uma linha vermelha demasiado perigosa para passar.

Depois da guerra súbita na Ossétia do Sul, os membros da NATO podem ver-se envolvidos, sem o quererem, num conflito na região por causa da cláusula da defesa mútua e da solidariedade. O respeito pela integridade e soberania dos países candidatos deve ser defendido com a devida salvaguarda da preservação das relações com a Rússia.

Um equilíbrio difícil de conseguir, quando o presidente da comissão parlamentar russa dos Negócios Estrangeiros vem a público dizer que não entende como é que a NATO pode trazer melhores oportunidades no combate internacional contra o terrorismo ou contra a proliferação das armas nucleares e fazer face a todas as outras ameaças e desafios comuns aos que os russos enfrentam.

Apesar de estarem todos de acordo em que a invasão militar da Rússia de território georgiano violou princípios do direito internacional, (quando as forças de Tbilissi tentavam recuperar o controlo) restam dúvidas sobre a posição a adoptar em relação à Geórgia e à Ucrânia.

A maioria dos membros ocidentais da NATO teme a dependência energética de Moscovo por uma questão de salvaguarda da própria segurança. Na Europa oriental e central não há dúvidas quanto à adesão dos novos membros mas apenas quanto ao exacerbado nacionalismo russo.

Masha Lipman, analista do Carnegie Center de Moscovo, afirma que quanto à Ucrânia não há dúvidas da adesão; são os ucranianos é que podem pôr em causa se vale a pena entrar ou não, por causa do que está a acontecer com os vizinhos. Além do mais, se a Rússia destabilizar a Ucrânia pode provocar horríveis desenvolvimentos na política internacional.

Mesmo se a Rússia afirma que as operações militares terminaram, a História mostrou que a realidade pode ser diferente. A Suécia cortou relações militares com a Rússia, mas a Alemanha incita ao apaziguamento.