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Asif Ali Zardari: o lado obscuro do carisma de Buttho

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Asif Ali Zardari: o lado obscuro do carisma de Buttho

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Foi ao lado da mulher e primeira-ministra Benazir Buttho que Asif Ali Zardari pisou pela primeira vez os corredores do poder, no final dos anos oitenta.

Nomeado ministro dos investimentos do primeiro governo da esposa, cedo, o carácter duvidoso e os caprichos caros do filho de uma família rica de Sindh, acabariam por manchar a pose de homem estado.

Dois anos de mandato vão-lhe conferir a alcunha de “senhor 10%”, o valor das comissões exigidas em troca de contratos públicos. Torna-se no lado obscuro do carisma de Buttho.

A esposa é reeleita em 1990, o mesmo ano em que Zardari vai passar dos corredores do poder à barra dos tribunais. Acusado de corrupção, extorsão e assassíni,o só em 2004 é que vai acabar de pagar as contas com a justiça, depois de ser libertado da prisão.

Só a morte de Buttho, num brutal atentado, vai permitir o regresso do político impopular à ribalta em plena campanha para as legislativas. Sempre na sombra da mulher, é nomeado co-presidente do partido do povo paquistanês ocupando o lugar de Buttho como cabeça de lista. À sua vitória nas legislativas sucedem-se as primeiras fracturas na coligação governamental, que agora parecem irremediáveis.

A antiga oposição democrática a Musharraf não esconde agora o desconforto de ver na presidência um personagem quase tão controverso quanto Pervez Musharraf.