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Sarkozy recua no "Edvige"

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Sarkozy recua no "Edvige"

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O presidente francês cedeu aos protestos e a uma petição com 130 mil assinaturas que contestam a criação do Edvige.

Trata-se de um ficheiro policial que vai permitir conservar as informações de carácter privado de qualquer pessoa susceptível de perturbar a ordem pública.

Na prática, qualquer pessoa que seja detida vai passar a fazer parte do ficheiro, a partir dos 13 anos, mesmo que depois conheça a liberdade sem acusação.

A ministra francesa do Interior responde agora aos anseios do presidente Nicolas Sarkozy que ordenou esta semana a retirada de três pontos do documento da polémica. São eles a orientação sexual do cidadão, o estado de saúde e ainda a recolha de dados de personalidades como políticos e sindicalistas.

Quanto ao tempo (duração) em que os dados pessoais estarão disponíveis, Sarkozy queria que fosse infinito, mas afinal o tema, por agora, caíu e será objecto de discussão.

Representantes de oitocentas organizações, sindicatos incluídos, mantêm mesmo assim a manifestação marcada para 16 de Outubro. Reclamam o abandono puro e simples do texto proposto.

A secretária geral do Sindicato dos Magistrados explica que a intenção de ter as bases de dados de crianças é a marca de uma sociedade que considera parte da juventude como uma ameaça.

O presidente da Liga dos Direitos Humanos considera que é um mau serviço para a democracia definir no ficheiro a orientação sexual do cidadão e pergunta para que serve saber se a pessoa é homossexual ou seropositiva?

A decisão sobre o texto final será tomada em Conselho de Estado no final do ano. Por agora, ninguém na Europa foi tão longe no registo de dados pessoais.

Há no entanto o caso da Grã-Bretanha que regista já o ADN e as impressões digitais de criminosos. Perto de 5% da população britânica, que corresponde a mais de quatro milhões de cidadãos, fazem parte dos ficheiros policiais. É a maior base de dados genéticos em todo o mundo, o objectivo é a luta contra o terrorismo.