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Retrato de uma crise financeira

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Retrato de uma crise financeira

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A falência do Lehman Brothers, um banco com um século e meio de existência e que sobreviveu ao crash bolsista de 1929, prova que a crise financeira americana é bastante mais grave. O efeito dominó ameaça ser devastador e os correctores e os mercados parecem ter finalmente compreendido as regras do capitalismo.

Rudy de Groodt, analista do Fortis: “Até à operação de salvamento do Bear Stearns, adquirido pelo JP Morgan, orquestrada pela Reserva Federal, era uma coisa, mas agora, com o não das autoridades americanas, ninguém é grande de mais para cair, o que é um facto deveras surpreendente.”

Em Março de 2008, o octogenário Bear Stearns, estava à beira da falência.
A fuga de clientes deixou o banco sem liquidez e a Reserva Federal americana teve de injectar 29 mil milhões de dólares para assegurar a compra da instituição pelo JP Morgan.

As acções do Bear Searns valiam apenas dois dólares, contra 150 um ano antes.
O banco tinha encaixado mal a onda de choque dos créditos de alto risco e o impacto em Wall Street não se fez esperar.

Keith Cunningham, empregado em Wall Street: “Penso que muitas pessoas, muitas companhias têm maquilhado números e creio que vai tornar-se claro que o mercado dos créditos imobiliários de risco afectou muita gente.” Meses depois foi a vez do Fannie Mae e do Freddie Mac.

As duas companhias detêm quase metade das hipotecas do país, entretanto compradas aos bancos. Mais uma vez a FED abriu os cordões à bolsa e injectou quase 200 mil milhões de dólares dos contribuintes para salvar estes dois pilares do mercado imobiliário.

Mas este intervencionismo gera desconfiança. Neil Weinberg, editor da revista Forbes: “Pior que uma organização governamental ou uma organização privada que age de forma selvagem é uma combinação onde os riscos são assumidos por privados com o objectivo de maximizar o lucro mas por outro lado há esta garantia implícita, como tinham o Freddie Mac e o Fannie Mae, que em último caso têm o apoio do governo.”

A tormenta ameaça agora outro gigante da finança, a seguradora AIG. O que deixa angustiados os americanos que vêem derreter as suas poupanças. A poucas semanas das eleições de Novembro, os dois candidatos presidenciais falaram finalmente de economia mas os eleitores permanecem desconfiados.