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O grande Paul Newman

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O grande Paul Newman

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Lenda da 7ª arte, piloto, político, empresário e filantropo, Paul Newman foi um dos maiores actores da história do cinema, mas nunca cedeu à lógica de Hollywood.

Fumador inveterado, faleceu a 25 de Setembro, vítima de cancro, tinha 83 anos.

Eterno candidato aos Óscares, teve a primeira das 10 nomeações em 1958, ao lado de Elizabeth Tayor pelo papel de um ex-desportista alcoólico em “Gata em Telhado de Zinco Quente”.

Operador de rádio na II Guerra Mundial, foi rapidamente integrado pela crítica ao lado de Robert Redford e James Dean, na nova geração de actores com uma forma de representar mais natural, os “aspirantes” a Marlon Brando.

Se os olhos azuis e o porte atlético agradavam ao público feminino, os papéis de rebelde, duro ou falhado deram-lhe êxito junto dos jovens que combateram na guerra.

“Ele é o modelo prefeito do que você quer ser enquanto profissional. Ser capaz de equilibrar uma vida normal com uma carreira incrível em que fez filmes fabulosos. Ser filantropo e no fim de contas apenas uma pessoa normal. É uma perda enorme para todos. É um símbolo e alguém para quem devemos olhar com respeito”, recorda Leonardo Di Caprio.

1958 fica também marcado pelo segundo casamento com a actriz Joanne Woodward. Musa e companheira numa relação de 50 anos e para quem realizou “A Influência dos Raios Gama no Comportamento das Margaridas” directamente inspirado na morte do seu único filho homem, Scott, de overdose.

Depois de “Dois Homens e um Destino”, de 1969, volta a contracenar em 1973 com Robert Redford em “A Golpada. A película recebeu 7 Óscares, mas a vez de Newman ainda não tinha chegado.

Foi finalmente em 1986, um ano depois de ter recebido um Óscar honorário pela carreira que Paul Newman, aos 61 anos, é galardoado com a estatueta de melhor actuação no regresso ao papel de Fast Eddie Felson em “A Cor do Dinheiro” de Martin Scorcese ao lado do jovem Tom Cruise.

Newman, que trocou a loucura de Hollywood pela tranquilidade do Connecticut nos anos 60, nunca esteve presente para receber um prémio na cerimónia dos Óscares.

Eram outras as coisas que o faziam “correr”.

Apaixonado pela velocidade, tornou-se piloto semiprofissional nos anos 70. Teve a sua própria equipa e aos 70 anos entrou no Guinness como o piloto mais velho a vencer uma prova de resistência, as 24 horas de Daytona.

Paralelamente criou por brincadeira uma linha de produtos alimentares. Um sucesso que lhe permitiu dar milhões de euros aos mais pobres.

Isto porque, como dizia, “Tive muita sorte e há imensa gente que não tem muita sorte. Aqueles que a tiveram devem estender a mão aqueles que são menos afortunados do que eles”.

Politicamente, teve um papel importante no Movimento para os Direitos Cívicos nos Estados Unidos, foi activamente a favor do desarmamento nuclear e participou em algumas campanhas do partido democrata. Gostava naturalmente de ter vivido para ver um negro chegar à presidência dos Estados Unidos.

Actuou em mais de 60 filmes, celebrou 50 anos de um casamento feliz, gastou fortunas para ajudar os mais desfavorecidos. São poucas as estrelas que brilharam como Paul Newman brilhará para sempre, imortalizado no grande écran e na memória de todos.

Os mais famosos olhos azuis da história do cinema nasceram em Clevland no Ohio em 1925, fecharam-se pela última vez na sua casa em Westport, no Conneticut, na costa Leste, a milhares de quilómetros de Hollywood e de um brilho efémero que, para ele, será eterno.