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Angolagate: angolanos ficam fora do processo; François Miterrand arrisca 5 anos de prisão

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Angolagate: angolanos ficam fora do processo; François Miterrand arrisca 5 anos de prisão

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O processo Angolagate, vasto caso de tráfico de armas de guerra que julga 42 pessoas, entre as quais o filho mais velho de François Mitterrand e o ex-ministro francês do Interior, teve início esta segunda-feira em Paris.

Até 4 de Março de 2009, o tribunal vai tentar apurar as responsabilidades e as ramificações de um vasto negócio de venda de armamento a Angola entre 1993 e 1998, no valor estimado de 790 milhões de dólares, que gerou tensão nas relações entre Paris e Luanda.

Nenhuma das 30 personalidades angolanas que receberam “comissões” foi indiciada no processo.

Pierre Falcone, milionário franco-brasileiro especializado em comércio de petróleo e de armas, e Arcadi Gaydamac, israelita de origem russa que fez os contactos com a Rússia para enviar o arsenal necessário, negociaram o que o governo francês recusou ao presidente José Eduardo dos Santos. Em 1993 criaram, na Eslovénia, a sociedade ZTS Ozos, que fornecia armas a Luanda para combater a UNITA, mas grande parte das negociações e contactos teriam passado pelo escritório da empresa, em Paris.

Jean-Christophe Mitterrand, ex-conselheiro para os assuntos africanos no Eliseu, foi o intermediário deste negócio de revenda a preços de oiro do velho material soviético a Angola, em que se pagavam comissões de 50 por cento. O filho do presidente Mitterrand ainda cumpriu 21 dias de prisão até que a mãe, em 2001, pagasse uma caução de 33 mil euros para aguardar o julgamento em liberdade.

No banco dos réus vão sentar-se, ainda, o antigo ministro do Interior Charles Pasqua, o conselheiro na data dos factos, Jean Charles Marchiani,e o ex-conselheiro de François Mitterrand, Jacques Attali.

Pasqua e Marchiani, sozinhos, terão recebido luvas de 311 mil dólares e arriscam uma pena até 10 anos de prisão. Mitterrand terá ganho mais de dois milhões e meio de dólares e arrisca-se a cumprir 5 anos, tal como Attali e o escritor Paul Lou Sulitzer por causa do lobby de influências que criou nos Media.

Para o Governo francês, o julgamento não surge na melhor altura, dado que as autoridades gaulesas têm tentado uma aproximação a Luanda, sendo prova disso a visita que o presidente Nicolas Sarkozy efectuou em Maio último a Angola, país rico em petróleo e já o maior produtor de crude de África. Dos Santos visita Paris em Abril do próximo ano, logo a seguir ao julgamento.