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Combate à fome precisa afectado pela crise; dinheiro, precisa-se

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Combate à fome precisa afectado pela crise; dinheiro, precisa-se

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O director da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO, é claro: “Em período de recessão, naturalmente, é mais difícil mobilizar recursos para a agricultura nos países em vias de desenvolvimento e, além do mais, em tempo de crise as entradas de dinheiro não aumentam, mas provavelmente aumenta o número de gente pobre e faminta.”

É uma constatação simples. E para estes intervenientes directos na luta contra a fome no mundo, Jacques Diouf e outros, trata-se de evitar que a crise financeira que afecta o mundo inteiro, há várias semanas, comprometa a ajuda de que os países pobres tanto precisam.

A ONU apostou, no início do milénio e até 2015, a reduzir para metade a fome no mundo. No ano passado, 850 milhões de pessoas estavam nessa situação. Este ano, o número aumentou para 925 milhões. Uma diferença de 75 milhões de pessoas que vêm, essencialmente, da Ásia Pacífico, da África sub-sahariana e da América Latina. E ao mesmo tempo, a ajuda internacional está no mais baixo nível em 40 anos.

“O mundo está a recuperar de três crises seguidas: o aumento dos preços dos alimentos, a subida dos combustíveis e, agora, a crise financeira. Isto afecta todos, mas para aqueles que vivem com menos de um dólar por dia, é uma questão de vida ou de morte, de poder ou não dar sal aos filhos, se eles podem comer uma vez por dia ou não. Neste Dia Mundial da Alimentação é fundamental que lembremos isto, que honremos quem quer lutar contra a fome”.

Asina é queniana. Vive com os seis filhos num bairro da lata dos arredores de Nairobi. O preço dos alimentos básicos aumenta diariamente, por isso, comer uma refeição por dia é um desafio. “Se comemos ao almoço é difícil arranjar o jantar, é um jogo em que se pode ganhar comida ou não. Quando se consegue, tudo bem. Se não se consegue, fica-se assim.”

Já são quase mil milhões de pessoas a sobrevivem com fome. A União Europeia anunciou que vai desbloquear 15 milhões de euros suplementares para cinco países do corno de África, para além dos 135 milhões já aplicados este ano. Mas, segundo a FAO, são precisos, pelo menos, 22 mil milhões de euros por ano para garantir a segurança alimentar no mundo.