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Cinema novo em Kiev

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Cinema novo em Kiev

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O Festival Internacional de Cinema de Kiev teve, este ano, como novidade a presença do actor norte-americano Armand Assante, que presidiu ao juri.

Assante que interpretou California Dreamin, estreado este ano em Cannes.

Kiev, para ele, é um festival cheio de magia:

“É quase um festival mágico, pelo extraordinário grupo de cineastas, vindos de todo o mundo. Cineastas magnificamente dotados. A questão principal, extremamente relevante, é a participação internacional. Queria dizer que a consistência deste festival é-lhe dada pela enorme qualidade dos filmes, o que foi uma grande surpresa. Quando se vêem obras destas percebe-se que algumas têm a qualidade de filmes de autor, filmes de festival”.

O Grande Prémio do Festival, o “Golden Dear”, foi atribuído, ex-aequo, a dois filmes. Um é do cineasta russo de origem georgiana, Bakur Bauradze. O outro é da cineasta iraniana. Hana Makhmalbaf. Entre os actores, está o próprio pai.

“Eu amo o meu pai, é realmente um grande homem. Estou muito orgulhosa comigo própria, porque ele ganhou um prémio, no início do ano passado. E estou realmente feliz porque o juri entendeu uma obra realizada com a dor do Povo do Afeganistão. E entenderam também a dor do povo de todo o mundo que está a sofrer a violência política. Estou realmente feliz”, disse a cineasta laureada. Uma cineasta de apenas 20 anos.

O seu “Budha Collapse Out of Shane” foi estreado este ano, no Festival espanhol de S. Sebastian.
Vive num ambiente de cinema, desde a infância. Trabalhou nos filmes do pai, da madastra, Marzieh e da irmã. Fez de tudo, escreveu scripts, dirigiu a fotografia. Aos nove anos, realizou a sua primeira curta metragem.

Mas só agora surgiu uma obra de grande folgo, para contar o drama das crianças do Afegasnistão.

Prémio também para o actor Gela Chitava, pela actuação em “Shultes”.

Ele que é um actor amador. O filme conta venturas e desventuras de um carteirista e de uma criança que vivem num bairro mal afamado, nos arredores de uma grande cidade russa.

Uma soberba interpretação de Gela Chitava, que o deixou feliz:

“Sinto-me como um actor, não profissional, é verdade, mas gosto de tudo o que é criativo.Respeito profundamente o processo criativo e nunca se me pôs a questão de ser ou não profissional. O que realmente me interessa é a minha realização pessoal. Estar num projecto e, ainda por cima, ganhar um grande prémio. Sinto-me como um homem criativo”.

O filme conta a história de Lesha Shultes, 25 anos, antigo atleta, gravemente ferido num acidente de automóvel, transforma-se num carteirista. Só por isso, contacta com o mundo exterior. Vive só, com a mãe doente. Nos intervalos dos roubos, visita o irmão, soldado, e vai-se despojando de sentimentos. Recupera-os, quando conhece uma criança.

O prémio para o melhor realizador foi para o sérvio Damlan Kecojevic.

A obra chama-se Huddersfield e tem uma particularidade:

“Os produtores deste filme são também os actores do filme, realmente, as duas personagens principais. Eles tiveram a ideia de fazer o filme e não ganhamos qualquer prémio no nosso país, mas isso não é importante. Isto é verdadeiramente um grande acontecimento, porque tem muito significado para eles que fizeram o que deviam. Nós fizemos um bom filme”.

Na trama, está um homem de 30 anos que vive só, com o pai, alcoolatra, num bairro problemático. Escritor mal sucedido, teme, antecipadamente, as negativas das editoras. Depois de uma adolescência rebelde, colabora num programa de rádio e entretem-se com os poemas de um vizinho

As rotinas são alteradas, quando recebe a visita de um amigo, entretando, emigrado para a cidade inglesa de Huddersfield.

Fazem o balanço de 10 anos de separação e a esperança regressa, numa Sérvia em reconstrução.