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A UE à espera do novo presidente dos EUA

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A UE à espera do novo presidente dos EUA

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Nada do que se passa nos Estados Unidos deixa a Europa indiferente. Os dois blocos têm relações privilegiadas, tanto no plano estratégico como no plano comercial. Mesmo se a era Bush foi marcada por grandes divergências.

Como a prisão de Guantânamo muito criticada pela Europa, pelo desrespeito dos direitos do Homem.

Que futuro para Guantânamo sob presidência Obama ou sob presidência McCain, foi a questão que colocámos a Bart Kerremans, especialista das relações transatlânticas e professor na Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica. “Ambos vão tentar livrar-se de Guatanamo. O que é óbvio, em termos de tortura. O próprio McCain foi vítima de tortura, pelo que penso que acabará certamente com essas práticas. Mas, seja quem for, o próximo presidente americano vai certamente fechar Guantanamo”, prevê.

Em 2001, a NATO e a CIA fazem um acordo secreto. E a CIA passa a utilisar centros de detenção europeus. Uma espécie de pequenos Guatanamos clandestinos. O caso vem a público e o escândalo rebenta. Catorze países europeus são acusados pelo Conselho da Europa de implicação. E no futuro? “Penso que, intuitivamente, ambos são contra estas práticas. A grande questão é imaginar que você é presidente dos Estados Unidos e que um dia, de repente, recebe uma comunicação da NSA, a Agência Nacional de Segurança, que dá conta de que algo pode acontecer, e que terá de usar métodos fortes para fazer os prisioneiros confessarem. E aí, surge a forte tentação de recorrer a este tipo de práticas altamente questionáveis.”

Juntos, Estados Unidos e União Europeia representam 40% do comércio do planeta. Mas não foram capazes de chegar a acordo sobre a liberalização do comércio mundial. A chamada ronda de Doha falhou, sobretudo por divergências sobre os subsídios à agricultura. Que progressos podemos esperar, perguntámos ao nosso especialista: “Não vamos ter um impacto imediato nas relações entre a União Europeia e os Estados Unidos. Mas prevejo tensões potenciais com um certo número de países em desenvolvimento, no que toca aos padrões do mercado de trabalho ou do ambiente. Claro que tudo depende da dimensão do apoio financeiro que acompanhará a política de Obama para essas áreas, para permitir a esses países atingirem elevados padrões de trabalho e ambientais. Vamos esperar para ver.”

Os oito anos de mandato Bush foram igualmente marcados por duas guerras, uma das quais dividiu os europeus entre si, assim como a Europa e a América. Os dois candidatos à Casa Branca também estão divididos sobre a retirada ou não das tropas americanas do Iraque. E para a Europa, que consequências se esperam? “Na medida em que a retirada das tropas americanas pode conduzir à instabilidade, ao ressurgimento ou à escalada dos conflitos entre os diferentes grupos do Iraque, uma retirada rápida dos americanos não é certamente do interesse da Europa. Agora há uma outra questão relacionada com essa, que é bastante evidente, quer o presidente seja Obama quer seja McCain, e que é: os americanos vão apelar fortemente ao apoio financeiro da Europa para a reconstrução do Iraque.”

Esta análise vale pelo que ela é: uma análise. Porque, prognósticos, prognósticos, só no final das eleições.