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McCain acredita até ao fim

“Continuar o combate até ao fim”, apesar das sondagens que, há semanas, prevêem a derrota. John McCain é uma raposa velha da política americana e sabe que nada está ganho ou perdido antes do escrutínio. Até ao último momento tudo pode mudar.

Aos 72 anos é mais do que provável que esta seja a última oportunidade de chegar à Casa Branca.

A 5 de Março de 2008, contra todas as expectativas, ganhou a investidura republicana face a adversários que eram dados como favoritos e escolheu para número dois da sua candidatura uma mulher desconhecida, que depressa deu muito que falar. Para o melhor e para o pior.

Nascido numa família de militares de carreira, McCain está habituado às adversidades. Desde jovem, o seu destino estava traçado. Aos 31 anos o avião que pilotava foi abatido no Vietname. Sobreviveu à queda, a cinco anos e meio de torturas nas prisões vietnamitas.

Repatriado em 1973, 10 anos depois lançou-se na política. Foi eleito pela primeira vez, em 1982, para a Câmara dos representantes e quatro anos mais tarde chega ao Senado onde permanece durante mais de 20 anos como figura emblemática.

Difícil de classificar, tem um discurso conservador mas as convicções, nomeadamente no âmbito social, são vistas como moderadas.

A primeira tentativa à investidura republicana falhou contra a de George W. Bush mas, mesmo assim, conseguiu conquistar um número significativo de Estados importantes. Acabou por caír vítima de uma campanha caluniosa dirigida sobretudo à sua vida privada.

Quatro anos depois, chegou a considerar fazer uma aliança pouco habitual com o velho amigo democrata John Kerry, que o queria como número dois. Mas decidiu voltar ao campo republicano para apoiar o homem que, em tempos, tanto criticara.

Este ano, por diversas ocasiões, McCain fez questão de sublinhar as diferenças em relação a Bush. “ Eu não fui eleito “miss simpatia” no Senado dos Estados Unidos nem pela administração. Eu opus-me ao presidente nos gastos, nas mudanças climáticas, na tortura de prisioneiros em Guantanamo Bay e ao modo como a guerra no Iraque foi conduzida. Tenho um longo percurso e o Povo americano conhece-me muito bem”, afirmou.

Cabe agora ao eleitorado decidir se a relação de longo prazo entre McCain e o povo merece ou não um final feliz.