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América escolheu herói

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América escolheu herói

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Bateu-se até ao fim sem jamais baixar os braços. John McCain andou, de certo modo, a reboque das sondagens atrás do adversário. E incrivelmente, sempre que era dado como perdedor, no dia seguinte recuperava brilhantemente. Com 72 anos e uma vida consagrada aos Estados Unidos, acede, finalmente, ao cargo que lhe dá a certeza de continuar a servir o melhor que sabe.

Como diz o próprio, ficou apaixonado pelo país quando foi feito prisioneiro como qualquer soldado. Amou a decência, a fé, a sabedoria, a justiça e a bondade com o seu povo. E amou porque não era só um lugar mas um ideal, uma causa pela qual valia a pena lutar. Não voltou a ser o mesmo. Deixou de ser senhor de si mesmo, passou a ser o próprio país.

Este compromisso de servir foi o tema principal da campanha republicana, colocando à frente a experiência, o conhecimento dos dossiês internacionais e mesmo a idade, que os detractores tanto criticaram.

Porém, acabou por ser afectado pela impopularidade da administração Bush, ao ponto do próprio presidente cessante ter optado por estar menos presente e ter enviado uma mensagem por videoconferência à Convenção Republicana que nomeou McCain. Foi também por isso que escolheu falar abertamente das divergências que mantem com George Bush.

Inclusivamente, é aos amigos de George Bush que deve a eliminação na corrida à investidura em 2000. Nomeadamente por causa de algumas calúnias que surgiram em relação à vida privada. Na altura descrevia a função para a qual se preparava como um trabalho de um homem só numa sala escura ao receber os relatórios das baixas. Ele não temia o fardo por conhecer bem o que era ser ferido e qual é o preço da liberdade.

McCain nasceu numa base militar, no seio de uma família de oficiais por isso, naturalmente, acabou por seguir a carreira de piloto do exército norte-americano. Em 1967, duarante a guerra do Vietnam, o avião que pilotava foi atingido, ele ejectou-se e fracturou os dois braços e uma perna . Ferido, foi preso e passou seis anos numa cela vietnamita.
Foi libertado em 1973, o primeiro casamento acabou e em 79 casou com Cindy, que tudo fez para apoiar a carreira política do marido.

Cindy, uma rica herdeira, consagrou uma grande parte da vida à ajuda humanitária. Foi, aliás, no decurso de uma viagem ao Bangladesh que adoptou um orfão doente que se tornou no quarto filho do casal.

Atesta, com orgulho, que o marido é um homem bom, leal. E ela sabe porque o ama há 30 anos.

A confiança no veterano, no herói milionário que não soube responder quantas casas tinha, ganhou sobre a incerteza quanto às promessas de um jovem desconhecido. Neste tempo de crise económica, o sonho dos americanos passou a ser o de perder a conta aos próprios bens pela melhor das razões: ser rico.