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Crise automóvel empobrece Detroit

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Crise automóvel empobrece Detroit

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Depois da rejeição do plano de ajuda, por parte do Senado, as três grandes de Detroit, sobretudo a General Motors, podem agora recorrer ao chamado capítulo 11, ou seja, colocar-se sob protecção da lei das falências.

A bancarrota teria consequências desastrosas para a indústria automóvel mundial. A cidade de Detroit é hoje um espelho das crises sucessivas que o sector tem vindo a viver, com várias antigas fábricas em ruínas. As três construtoras, GM, Ford e Chrysler são as três maiores empregadoras da capital automóvel norte-americana. Têm, juntas, mais de 180.000 empregados. Em quarto lugar está o fabricante de peças Visteon. Alexander Law é especialista no sector automóvel e diz: “O risco é que uma destas empresas fique pelo caminho. A crise actual não é de hoje. Tem já cinco, 10 ou 15 anos. Houve erros estratégicos e deixaram os custos aumentar demasiado. Houve generosidade a mais e despesas a mais. O estado de Michigan, onde fica Detroit, está agora longe da época dourada da indústria automóvel. É o Estado com maior desemprego na América. Um em cada dez habitantes não tem trabalho. No Michigan, foram eliminados, este ano, mais de 70.000 postos de trabalho e pensa-se que, para o ano, o número possa atingir os 80.000. O maior golpe para este Estado aconteceu nos anos 80, altura em que a indústria perdeu 40% dos empregos que tinha, enquanto o sector dos serviços esteve a crescer – uma situação que foi retratada por Michael Moore no documentário “Roger and me”, de 1989. Hoje, os empregos industriais representam apenas 14%. A cidade de Detroit vive sob o espectro do desemprego e da pobreza, que afecta um em cada três habitantes.