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Presidência francesa da UE: resultados satisfazem, o método nem por isso

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Presidência francesa da UE: resultados satisfazem, o método nem por isso

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O balanço de seis meses de presidência francesa da União, feito por Nicolas Sarkozy, foi bem recebido pela grande maioria dos eurodeputados. Esta terça-feira, o ainda presidente em exercício da União discursou no Parlamento Europeu, onde louvou a unidade demonstrada pela Europa, em temas que vão do Tratado de Lisboa, à guerra na Geórgia, passando pelo pacote climático ou pela crise financeira. “Na crise financeira, a Europa esteve unida. A Europa pediu a realização da Cimeira de Washington. A Europa pediu o G20. A Europa organizará, em Londres, no próximo dia 2 de Abril, a cimeira da reforma da governação mundial. A Europa tentou defender a uma só voz as suas convicções”, afirmou Nicolas Sarkozy.

À excepção da extrema-direita – anti-europeísta – e dos verdes – desiludidos com o acordo sobre o clima, que consideram insuficiente -, os resultados da presidência francesa foram largamente aplaudidos. Mas o estilo Sarkozy, esse incomoda, como se depreende das palavras do eurodeputado socialista alemão Jo Leinen: “Temos de ter cuidado para que as decisões das cimeiras não firam os fundamentos e as regras da União. A tentação de procurar o sucesso rápido e de deixar de lado as normas é grande e esse era, um pouco, o perigo que corríamos com Sarkozy e com a presidência francesa.” A forma como Nicolas Sarkozy assumiu a liderança na crise financeira, relegando Durão Barroso e a Comissão Europeia para segundo plano também provocou alguns incómodos, incluindo no próprio Partido Popular Europeu, ao qual a UMP de Sarkozy pertence. “A crítica que podemos eventualmente fazer a Nicolas Sarkozy”, diz o belga Jean-Luc Dehaene, “é que ele considera a Comissão um pouco como o secretariado do Conselho. Esse não é o papel da Comissão – e menos ainda durante a crise. Nesta matéria, a Comissão fechou-se um pouco. Enquanto, pelo contrário, no pacote climático e energético demonstrou que podia ser o motor da Europa.” A presidência francesa da União termina oficialmente a 31 de Dezembro. Mas Estrasburgo preparou, para esta terça-feira, um concerto de despedida.