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Subsolo de Gaza ao Egipto serve para reabastecer Hamas; Cairo inquieta-se

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Subsolo de Gaza ao Egipto serve para reabastecer Hamas; Cairo inquieta-se

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No dia 12 de Setembro de 2005 partiram da Faixa de Gaza os últimos soldados israelitas. Foi uma decisão unilateral do Estado de Israel. Ariel Sharon pensava que ao desmantelar os colonatos judaicos e ao retirar o exército a paz seria possível. Mas não foi assim: o Hamas classificou a retirada como vitória, ganhou as eleições e fez de Gaza uma extensão dos “Irmãos Muçulmanos”. Israel regressou a Gaza antes que o Hamas tomasse posse, no início de 2009, não para reocupar o território de milhão e meio de habitantes, mas para pôr fim aos tiros de roquetes contra cidades do sul israelitas e ao rearmamento do Hamas.

É que desde a partida dos israelitas, os activistas continuaram a reabastecer-se através dos túneis do Egipto. A rivalidade entre o Hamas e o Fatah degenerou numa guerra fratricida – poucos meses mas muito violentos) até ao controlo total do Hamas na Faixa de Gaza, em 2007.

Aí, a posição dos israelitas também se radicalizou, Gaza passou a ser considerada região hostil e o cerco intensificou-se, mas os roquetes do Hamas continuaram a cair em Israel. Os militantes islamitas conseguiram sempre contornar o cerco, cavando centenas de túneis na fronteira de 14 km do Egipto (única saída possível) para transportar armas iranianas muito mais sofisticadas do que os foguetes artesanais feitos em Gaza.

Assim, o Hamas reforçou o arsenal, dissimulou minas e preparou combatentes. O Egipto ficou numa posição muito desconfortável pois não quer, de modo algum, voltar a ter a tutela do enclave palestiniano. Em Janeiro de 2008, quando israel bloquou a região, milhares de cidadãos de Gaza tentaram fugir para o Egipto. O Cairo foi acusado por recusar abrir a fronteira em permanência. No entanto, não lhe agrada ter um Estado islamita à porta, sob influência do hamas e com risco terrorista de contágio aos Irmãos Muçulmanos egípcios. Os analistas egípcios receiam que a operação israelita precipite o afluxo de refugiados pelo subsolo. Israel luta contra o tempo, a comunidade internacional hesita e a opinião pública internacional exige o fim da guerra.