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Israel: estratégia de Barack

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Israel: estratégia de Barack

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A decisão de uma ofensiva terrestre é tão incontornável como arriscada para Israel. Não invadir pode significar a aceitação tácita do objectivo do Hamas, e invadir pode ser atolar-se. Ehud Barak, ministro da Defesa de Israel explicou que o objectivo é forçar o Hamas a parar com as actividades hostis contra Israel e os israelitas de Gaza, assim como mudar significativamente a situação no sudoeste de Israel.

O desafio de Israel é converter a superioridade militar em vantagens políticas e em segurança durável. Isso implica quatro objectivos específicos: Enfraquecer o Hamas, dissuadi-lo de proceder a futuros ataques, estabelecer novos acordos de segurança para estabilizar a fronteira do Egipto com Gaza mas sem fazer tréguas oficiais com o Hamas que legitimem o movimento islâmico. Mas a operação militar não pode prolongar-se por muito tempo, o balanço de vítimas palestinianas aumenta e os protestos da comunidade internacional vão aumentar de tom. O analista EMANUELE OTTOLENGHI, em Bruxelas, considera que o que se passa em Gaza tem a ver com o contexto regional e o conflito aberto em que se deve salientar o Irão e os aliados. Neste sentido, é revelador compreender que os países árabes moderados como o Egipto, Arábia Saudita e Jordânia moderaram a retórica de condenação dos acontecimentos e da perda de vidas de civis com jogadas políticas contra os objectivos de Israel. Em 2002 Israel fez uma operação militar idêntica nos campos de Jenine e Nablus, na Cisjordânia, sem muitas baixas e com muita eficácia. Mas para a representante da coligação da Autoridade palestiniana an União Europeia, o que pesa na situação é o calendário eleitoral. Leila Shahid, acredita que este é o verdadeiro regresso de Barak, com duas tentativas ao mesmo tempo. Uma para lavar a honra do exército israelita depois do descalabro no Líbano, em 2006, e do relatório Vinograd; a outra tem a ver com as eleições israelitas a 10 de Fevereiro…Barack estava mal colocado nas sondagens e depois do início da ofensiva em Gaza, a popularidade subiu. A questão é saber por quanto tempo: o cenário concebido pelo ministro israelita da Defesa não pode durar muito tempo.