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Rússia fecha a torneira do gás e arrefece relações com a UE

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Rússia fecha a torneira do gás e arrefece relações com a UE

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Vários países europeus começaram a recorrer às reservas de gás nacionais depois da Rússia ter interrompido esta noite a totalidade do abastecimento à Europa, através dos gasodutos ucranianos.

A presidência checa da União ameaça com represálias se o fornecimento não for restabelecido nas próximas horas. Os responsáveis dos governos e das petrolíferas russa e ucraniana reúnem-se hoje em Bruxelas para tentar pôr fim ao conflito sobre o preço do gás. Ontem o presidente da comissão europeia, Durão Barroso, afirmou que, “os dois países têm de resolver esta questão para que a Europa, como maior cliente russo, possa continuar a confiar em Moscovo como fornecedor de gás e na Ucrânia como país de trânsito do combustível”, evocando ainda as aspirações de Kiev de se aproximar à União. Segundo fontes diplomáticas, os dois países estão dispostos a acolher observadores europeus para controlar o fluxo de gás. Moscovo denuncia o furto de combustível na Ucrânia, uma acusação rejeitada por Kiev. Onze países Europeus como a Áustria, a Roménia, a Bulgária ou a Itália começaram a recorrer às reservas nacionais ou a combustíveis alternativos, em plena vaga de frio. Na Bósnia Herzegovina, uma habitante de Sarajevo compara a situação actual à dos tempos de guerra: “Não posso acreditar que no século XXI alguém possa cortar o gás desta forma”, afirma. Na Bulgária, que depende a 96% do gás russo, casas e edifícios públicos encontram-se desde ontem sem aquecimento e várias fábricas foram obrigadas a suspender a actividade. Os prejuízos elevam-se a quase 400 milhões de euros diários. Uma residente de Sofia afirma, “sentir na pele a crise do gás. O aquecimento central foi reduzido e tivemos de recorrer a aquecedores eléctricos, que não resolvem a situação”. Apesar das pressões europeias, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin afirmou ontem que só restabelecerá o fornecimento de gás quando a Ucrânia aceitar pagar o preço de mercado, que representa quase o dobro do valor aceite por Kiev.