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Crise do gás: Europa procura soluções energéticas de futuro

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Crise do gás: Europa procura soluções energéticas de futuro

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Apesar dos cortes no abastecimento proveniente da Rússia e dos problemas a Leste, a maioria dos consumidores na União Europeia não vai ter falta de gás. Um reflexo, para o bem e para o mal, da ausência de uma política energética comum.

Bruxelas não tem qualquer competência na gestão dos recursos energéticos e os interesses dos Estados-membros entram muitas vezes em conflito, mas a situação pode estar a mudar depois deste novo alarme: “São cada vez mais os países – mesmo os que optaram por acordos bilaterais em detrimento de uma aproximação multilateral ao nível da União Europeia – que estão a mudar de perspectiva. A Áustria tem um acordo bilateral mas não está a receber gás. A Bulgária tem um acordo bilateral mas o gás está cortado”, adianta Jacek Saryusz-Wolski, presidente da comissão dos Negócios Estrangeiros do Parlamento Europeu. A falta de cumprimento dos contractos do lado russo obriga a Europa a pensar em ser mais solidária e especialmente a procurar alternativas energéticas que possam reduzir a dependência do gás da Rússia, um parceiro pouco fiável que não hesita em utilizar a energia como arma de influência. Moscovo fornece 40% do gás consumido na União. 80% Desse volume transita no ‘Brotherhood’, o gasoduto que passa pela Ucrânia e que tem sido afectado pela crise. Os restantes 20% vêm pela Bielorrússia. Em 2011 está prevista a inauguração do North Stream que vai transportar gás russo para a Alemanha através do Mar Báltico. Para 2013 a italiana ENI e a russa Gazprom anunciam a abertura do South Stream que vem da Rússia até à Bulgária, Sérvia, Grécia e Hungria através do Mar Negro. O Nabucco, o único projecto dentro do continente que prevê contornar a Rússia, trazendo para a Europa gás do Azerbaijão e/ou do Cazaquistão, está parado por falta de financiamento. Neste cenário, é fundamental procurar novas soluções para garantir a independência energética europeia, um tema para a reunião na segunda-feira (12.01) dos ministros da Energia dos 27. “Também temos de olhar para lá do gás. Temos de pensar no gás natural liquefeito, que pode ser transportado em navios e não através de gasodutos. Temos de olhar para a energia nuclear. Temos de buscar fontes alternativas de energia, energias renováveis. Temos uma série de coisas para fazer, mas ficou claro que temos de diversificar os nossos recursos energéticos, especialmente em alguns países que são particularmente dependentes do gás russo”, defende Alexander Graf Lambsdorff, deputado do grupo Liberal do Parlamento Europeu. Tal como na crise de 2006, Portugal está protegido: importa o gás da Argélia e da Nigéria e está reconhecidamente a apostar nas energias renováveis: eólica; hidráulica ou ainda a solar, mostrando assim o caminho aos parceiros europeus. “Há algo de bom nesta situação fatal e catastrófica. É um segundo aviso que, espero, o resultado seja uma política externa comum de segurança energética”, afirma Saryusz-Wolski.