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Militares etíopes abandonam Somália à guerra entre clãs e islamitas

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Militares etíopes abandonam Somália à guerra entre clãs e islamitas

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O exército etíope começou ontem a retirar as suas tropas da Somália, dois anos depois da intervenção militar que expulsou da capital o governo da União dos Tribunais Islâmicos.

As forças etíopes, aliadas do actual governo interino somali, abandonaram quatro das cerca de dez bases onde mantinham até hoje mais de três mil soldados. Uma partida festejada por milhares de pessoas que contestavam a presença militar como uma tentativa de colonização. O chefe das forças etíopes na Somália afirmou que, “agora é a vez da comunidade internacional ajudar a população somali”. A retirada foi justificada pelo custo da operação e pelas divisões dentro do executivo somali. A missão etíope está no entanto longe de ser um êxito, num território retalhado entre as milícias islamitas a Sul, os chefes de guerra e o governo interino que controla apenas a capital. Em dois anos de intervenção, os combates entre os rebeldes islamitas e as forças aliadas do governo interino, apoiado pelos Estados Unidos, provocaram mais de 16 mil mortos e um milhão de deslocados. Ontem onze civis morreram num mercado de Mogadishu, apanhados no fogo cruzado entre exército e rebeldes. Os confrontos entre grupos islamitas rivais tinham provocado mais de 50 mortos durante o fim-de-semana. A duas semanas das presidenciais os analistas temem uma escalada da violência no território. Os Estados Unidos propuseram ontem o envio de uma força de paz da ONU para a região, em substituição do contingente da União Africana, limitado a apenas 3500 homens.