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Lukashenko quer desenvolver relações com a Europa 

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Lukashenko quer desenvolver relações com a Europa 

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“O nosso interesse nas relações com a União Europeia já não merece dúvidas”, disse o presidente da Bielorrússia, numa entrevista à EuroNews.
 
Falou também das relações com a Rússia, da crise económica e disse que o seu país quer fazer a ponte entre duas Europas a  -  a ocidental e a de leste.
 
“Há muitas mudanças na Europa que não podem ser feitas, sem a Bielorrússia, disse Alexander Lukashenko.
 
“O presidente nacional”, o último ditador da Europa”, ou, mais jucosamente, “Bakta”, o grande pai.
 
São cognomes dados ao presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashunko, um político vterano que sobreviveu à era soviática.. Mostra-se agora aberto a reformas, e à ideia de Europa.
 
Defende uma união de estados com a Rússia. Falou à EuroNews, pouco antes de uma visita a Moscovo.
 
 
EuroNews – Senhor presidente, bem vindo à EuroNews, a minha primeira questão é sobre as relações entre a Bielorrússia e a Europa que parecem mais calorosas. Praga vai receber a Cimeira para a Parceria com o Leste que pode ser uma mola. O senhor vai a Praga?
 
Alexander Lukashenko: O nosso interesse nas relações com a União Europeia já não merece dúvidas. Dou-lhe um exemplo: no ano passado, até Novembro – e o ano não acabou aí – o nosso volume de negócios foi um pouco superior a 22 mil milhões de dólares. A relação comercial com a União Europeia não era muito boa, porque com a Rússia, por exemplo, atingiou os 35 mil milhões. Isto é muito importante, mas há outra coisa muito mais importante. Como sabe, o que acontece agora é que temos um sistema de trocas comerciais, por todo o globo. E muitas mudanças emergem na Europa, que não podem ter bons resultados, sem a Bielorrússia. Drogas, trânsito ilícito de migrantes, todo um conjunto de outras coisas, e o trânsito da energia incluído. Coisas que têm de ser feitas com a Bielorrússia. A Europa está extremamente interessada nisso. O que significa que há um interesse mútuo e vontade de normalizar as relações.
Quanto a Praga, eu não penso que seja essencial ir a Praga. Eu e alguns mais. De qualquer maneira, nós não pensámos nisso, porque ainda não recebemos qualquer convite. Vai estar muita gente em Praga e vão-se discutir problemas importantes, na Cimeira para a Parceria a Leste. ‘E um tema muito pragmático e sensível e uma oportunidade para a União Europeia.
 
 
EN – Há uma área, onde as diferenças entre a Bielorrússia e a União Europeia podem não ser conciliáveis, refiro-me à liberdade de imprensa, à democracia eleitoral e ao estatuto da oposição. Está disposto a falar com os europeus, sobre estes temas?
 
 
AL - Sabe que nós temos dialogado sobre estes temas também. O caso dos Media. O proibicionismo não é o caminho.O povo lê, eles conhecem o presidente. Eles formaram uma opinião sobre o presidente, ao longo de 13 anos. Nós esboçámos leis, precisas e transparentes, para nos aproximarmos dos modelos da Europa: França, Alemanha, Reino Unido. O que fizemos não era bom. Mas quando queremos abandonar isso, criticam-nos. Nós mostramos-lhes que os limites decorriam da nossa Constituição. Porquê, tanto criticismo? Em frente. A Europa mostra um grande interesse na nossa oposição. O que a oposição fez, ao longo de mais de 20 anos, foi travar uma batalha para nos colocar longe do centro da Europa. Faço uma pergunta: porque não fazem nada para meter no Parlamento uma só pessoa, aberta, honesta a quem as autoridades possam dar apoio?”.
Sobre as eleiçõs. Nós fazemos eleições na Bielorrússia, tal qual a Europa nos aconselhou.Vieram cá observadores da União Europeia, da OSCE e disseram-nos: ‘há qualquer coisa de errado nisto, por favor, façam assim’. Muito bem, então vamos por aí. O que alguns países querem é deixar que as eleições produzam rupturas com a lei. Isso nunca. Nós já fizemos a ruptura com alguns métodos que não cabiam nos conceitos da União Europeia.
 
 
EN -  Senhor presidente, a crise económica e financeira afectou a Bielorrússia também. Tomou medidas para o seu país suportar este abalo?
 
AL – Sim. Nós temos exportações orientadas para determinados países. A nossa economia, certamente, regista uma quebra na procura, dos bens alimentares até aos equipamentos industriais.Estamos a ser afectados, até porque exportamos 65 por cento do Produto Interno Bruto. Estamos num grupo de 10 exportadores orientados para os países da Europa. Por isso, a quebra da procura afecta-nos também. Mas os nossos preços são um terço mais baixos que os praticados na Europa e no resto do mundo.
A crise financeira ainda não nos afectou muito. Nós não cotamos a nossa economia em Wal Street, ou em qualquer outro mercado. Mas afecta-nos um pouco, por causa da Rússia, quando os russos ficam horas numa filha para trocar rublos por dólares e euros. Bom, nós alienamos parte da nossa reserva nacional de ouro e de moeda forte, para segurar a nossa moeda nacional. Depreciámos a nossa moeda nacional em 20 por cento, para solver os créditos do Fundo Monetário Internacional, entre outras medidas”.
 
 
EN – A imprensa tem dito que o recente interesse da Europa ocidental pela Bielorrússia tem a ver com o facto de ser um país de trânsito de gás. Não tem medo que esse interesse se reduza, quando o lançamento do Nord Stream?
  
AL – Hoje, nenhum norte ou sul stream pode substituir o fluxo energético que chega à Europa, via Bielorrússia – 30 por cento do gás natural e 75 a 80 por cento do petróleo. Para a Europa, o caminho do petróleo é pela Bielorrússia. A Europa recebe um adicional de 30 mil milhões via North Stream, mas ao mesmo termpo, o consumo de gás natural cresce em toda a Europa.Em segundo lugar, o mais conveniente e mais curto trajecto é pela Bielorrússia. O trânsito pela Ucrânia é muito mais caro e aqui não fazem qualquer menção ao Nord Stream. É um projecto inútil. Mas é importante para a Rússia. Consequentemente, penso que a construção do Yamal-Europa precisa de ser concluída. Um linha já está construída. Por isso, a segunda linha deve ser construída. tanto mais que a infra-estrutura está pronta. Mas não é o trânsito que torna o nosse país atraente para os europeus. Absolutamente não. Ultimamente, muitos representantes de companhias multinacionais europeias vieram à Bielorrússia. E todos eles, independentemente da crise, querem investir aqui.”
 
 
AL – Sr. presidente, há duas semanas, as agências de notícias, citando fontes oficiais russas, diziam que a Bielorrússia tinha pedido um empréstimo de 100 mil milhões de rublos, à Rússia. Essas notícias diziam que a Rússia pôs, como condição para esse empréstimo, o reconhecimento, por parte da Bielorrússia, das repúblicas da Abcácia e da Ossétia do Sul.
  
AL – Sabe, isso não tem nada de verdade. No que diz respeito à Abecácia e à Ossétia, eu tenho dito repetidamente que nós temos a nossa própria posição sobre o assunto.. Não tivemos nenhuma pressão, nem da Europa, nem da Rússia. Temos um parlamento eleito que vai discutior o assunto, uma proposta será apresentada, compaginada com a nossa legislação e daí sairá uma posição.Mas isso não tem qualquer relação com esses créditos.
Durante as últimas negociações, nós propusemos aos russos que o rublo russo queimasse algumas etapas, para se trabnformar numa moeda regional. Dêem-nos um empréstimo para que possamos, numa fase inicial, pagar os nossos consumos energéticos, nessa moeda.Consequentemente, temos um tipo de relações, e prezamos muito esse tipo de relações que temos mantido com os russos, enquanto se desenvolvem as nossas relações com a Europa. Vamos continuar o nosso caminho de ligação – um ponte entre o ocidente e o leste europeu.